(Traduzido e enviado porJúlio Marques Mota)
Tudo vai bem. Pelo menos para os bancos. É o que os testes de resistência, “os stress testes” determinados pela Autoridade bancária europeia nos revelam. Os nossos bancos estão sólidos. Os depositantes podem confiar neles e os investidores podem subscrevem os seus aumentos de capital. Circulem: não há nada para ver. A realidade é no entanto bem outra. A publicação destes testes revela a mentira daqueles que os creditam e o poder do lobby bancário.
Sem estar a entrar em detalhes quanto a números, é necessário saber que a Autoridade bancária europeia, naquilo a que chama o cenário do pior para avaliar a situação dos bancos testados, muito simplesmente afastou a hipótese de incumprimento de um Estado soberano. Graças a este teste talhado à medida dos resultados que se queriam para o sector bancário, apenas oito bancos estão mal e o montante total do capital a levantar por estes últimos para restarem em condições é de apenas 2,5 mil milhões de euros.
Este número deve pôr-se em relação com mais de 100 mil milhões de euros de dívidas soberanas gregas, portuguesas e irlandesas compradas pelos bancos europeus e de que mais ninguém com seriedade será capaz de poder imaginar qual o reembolso total… excepto a Autoridade bancária europeia.
Se há uma verdade partilhada neste tempo de crise, é o facto de que a confiança é o fundamento do nosso sistema económico, confiança no futuro r certamente mas confiança igualmente nos nossos dirigentes. Ora o muito pouco que poderia restar desta última acaba agora por desaparecer. Ninguém pode pôr em dúvida a inteligência da maioria dos nossos governantes. É igualmente difícil imaginar que pensam que os défices acumulados pelos Estados e os novos que se continuam a adicionar se vão evaporar somente pela acção do tempo e pelo aumento dos impostos.
A questão que se levanta é a de tentar compreender porque é que se fecham na recusa pública da realidade e, agora também, na mentira económica também. Quatro hipóteses podem ser formuladas que não são exclusivas uma das outras.
A primeira hipótese é que é difícil para cada um reconhecer os seus erros e sair de uma mentira, sobretudo quando se existe apenas devido à confiança solicitada. A história é muito rara em dirigentes que se colocam à frente dos seus eleitores e lhes dizem: “enganei-me” ou “ eu menti-vos “. O sistema democrático atinge os seus limites com o direito à renovação dos mandatos elegíveis.
(Continua)
