Dois poemas de Ethel Feldman

 

(Adão Cruz)

 

 

Há quem me peça que não escreva com tanta dor.
Há quem me peça que os ais sejam os uis de quem ri.
Há quem me peça que faça de conta, porque quem não se dá conta,  não sofre nem geme. 

Enquanto escrevo, sorrio na descoberta do fim.

Depois de hibernar, vem a vontade de voar. No céu encontro o ar, no mar me encontro – sereia. 

Entre, é o meu destino próximo. Sono longo, onde nada foi dito ou ouvido. 

Intervalo presente – liberdade. 

 

 

 

Amante

 

Limou as arestas, limpou o pó. Do que restou, ficou com o vermelho da paixão.
Ela é a sombra que não me acompanha e rouba a parte de mim que sonha.
Deixou comigo a dor da ausência.
Com um sorriso generoso ocupou meu lugar. Roubou meus gemidos na cama.
Inventou a tormenta quando ouviu a promessa amor eterno.
Deu-me de volta a fadiga de vida.

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