Jogar Xadrez – Jogar “Snooker” – Joaquim Magalhães dos Santos

 

Interrogado acerca de quantas jogadas era capaz de antecipar, um célebre campeão de xadrez – soviético, é claro! – respondeu que “mais uma do que o meu adversário”. Ao jogar uma qualquer peça, o xadrezista tem de imaginar (prever) o que o outro fará e preparar logo as diversas jogadas que,apartir desse movimento, ele próprio fará.

 

Também me disseram que um grande jogador de bilhar “snooker” (com vinte e duas bolas e um taco… um taco para cada jogador) era capaz de, ao  dar uma tacada, prever a posição que lhe seria mais conveniente dali a… seis jogadas!

 

Quem se limita a dar uma marretada na primeira bola e já fica todo contente por meter uma no buraco que tinha na intenção, não faz ideia do que seja planear qual será a posição das diversas bolas dali a mais cinco tacadas.

 

Xadrez e “snooker” são coisas que as cavalgaduras não podem jogar. E não é só por as patas não lhes permitirem segurar nas peças ou nos tacos.

Falta-lhes – entre outras capacidades – o poder de preverem as consequências de cada movimento que façam.

 

Por exemplo, porque sabem prever, não põem cá fora leis que provoquem a miséria e a desgraça do povo que dizem servir.

 

Que provoquem o encerramento de empresas e o consequente aumento do número de desempregados.

 

Que dificultem o acesso ao trabalho a centenas, milhares de estudantes que acabam os seus cursos e não têm saída para aplicarem os conhecimentos adquiridos.

 

Que levem a um infalível encolhimento nas despesas e consequentemente a um encolhimento nas receitas de quem vive das despesas dos outros.

 

As cavalgaduras – por muito treino que tenham para obedecer à voz dos seus donos – não raciocinam. Nem sabem o péssimo efeito que causa, em quem tem de cumprir as suas leis cegas e desumanas, o fazerem cortes nos rendimentos dos mais pobres e indefesos e de pouparem e até mimarem os mais poderosos, os mais abastados, os mais ricos. Estes são sempre protegidos, e – de tão cavalares que também são – não se privam de ostentar obscenamente o seu poderio, a sua indecente riqueza.

 

Mas as cavalgaduras (as autênticas, as zoologicamente classificadas como tal, as que não usam gravata nem  têm fatos ou vestidos de marca)  têm um olfato – faro talvez seja exclusivo dos cães, com os quais, de resto, também são aparentados, não pelas melhores qualidades dos canídeos – que lhes permite saberem, preverem, anteciparem o que vai acontecer. Até terramotos pressentem!

 

A cavalgaduras legislativas e governamentais não sabem ou são infantilmente inconscientes das consequências das suas leis.

Não imaginam que estão criar milhares de desempregados e de ociosos à força e de esfomeados e de gente que tem filhos para alimentar e não pode comprar o necessário para lhes dar que comer.

 

Não fazem ideia de que, “graças” à estupidez das suas estúpidas medidas de contração, há um exército à espera de armamento e de quem os comande.

 

E – assim se declare uma revolta (ou uma Revolução) – é garantido que não faltarão (desde que se trate de vender – nunca faltam) “almas piedosas” que forneçam as armas. E para disparar uma arma só é preciso um dedo que prima o gatilho, não é preciso muito treino.

 

E quem comande essa tropa – por muito fandanga que seja – também aparece. Até podem surgir vários, uns à moda do 5 de outubro, outros mais virados para o 28 de maio.

 

É, muito simplesmente, uma guerra civil.

 

Provocada por cavalgaduras que não sabem jogar xadrez nem “snooker”.

 

E também não sabem conduzir a carruagem de cujas rédeas se apoderaram.

 

De que se apoderaram segundo as leis regimentais. “Nada” a apontar-lhes.

 

Quem fez as leis e ganha com  a sua posterior aplicação?

 

As cavalgaduras e os seujs potros. Estas de agora e outras que já estiveram no poleiro – ou, mais apropriadamente, na cavalariça.

 

As mesmas que não avaliam as consequências das leis que põem cá fora.

 

                                                                     

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