Uma prolongada guerra no Médio Oriente e Ásia Central tem estado nos planos do Pentágono desde meados da década de 1980.
Como parte deste cenário de guerra prolongada, a aliança EUA-NATO planeia travar uma campanha militar contra a Síria sob um “mandato humanitário” patrocinado pela ONU.
A escalada é uma parte integral da agenda militar. A desestabilização de estados soberanos através da “mudança de regime” está estreitamente coordenada com o planeamento militar.
Há um roteiro militar caracterizado por uma sequência de teatros de guerra EUA-NATO.
Os preparativos de guerra para atacar a Síria e o Irão têm estado num “estado avançado de prontidão” durante vários anos. O “Syria Accountability and Lebanese Sovereignty Restoration Act” , de 2003, classifica a Síria como um “estado vilão”, como um país que apoia o terrorismo.
Uma guerra à Síria é encarada pelo Pentágono como parte da guerra mais vasta dirigida contra o Irão. O presidente George W. Bush confirmou nas suas Memórias que havia “ordenado ao Pentágono planear um ataque a instalações nucleares do Irão e [havia] considerado um ataque encoberto à Síria” ( George Bush’s memoirs reveal how he considered attacks on Iran and Syria , The Guardian, November 8, 2010)
Esta agenda militar mais vasta está intimamente relacionada com reservas estratégicas de petróleo e rotas de pipelines. Ela é apoiada pelos gigantes petrolíferos anglo-americanos.
O bombardeamento do Líbano em Julho de 2006 fez parte de um “roteiro militar” cuidadosamente planeado. A extensão da “Guerra de Julho” ao Líbano também à Síria foi contemplada pelos planeados militares estado-unidenses e israelenses. Ela foi abandonada após a derrota das forças terrestres israelenses pelo Hezbollah.
A guerra de Julho de 2006 de Israel contra o Líbano também pretendia estabelecer controle israelense sobre a linha costeira a Nordeste do Mediterrâneo incluindo reservas offshore de petróleo e gás em águas territoriais libanesas e palestinas.
Os planos para invadir tanto o Líbano como a Síria têm permanecido nas mesas de planeamento do Pentágono apesar da derrota de Israel na guerra de Julho de 2006. “Em Novembro de 2008, cerca de um mês antes de Tel Aviv ter começado o seu massacre na Faixa de Gaza, os militares israelenses efectuaram exercícios para uma guerra em duas frentes contra o Líbano e a Síria chamada Shiluv Zro’ot III (Crossing Arms III). O exercício militar incluiu uma maciça invasão simulada tanto da Síria como do Líbano” (Ver Mahdi Darius Nazemoraya, Israel’s Next War: Today the Gaza Strip, Tomorrow Lebanon? , Global Research, January 17, 2009)
A estrada para Teerão passa por Damasco. Uma guerra promovida pelos EUA-NATO contra o Irão envolveria, como primeiro passo, uma campanha de desestabilização (“mudança de regime”) incluindo operações de inteligência encoberta em apoio de forças rebeldes dirigida contra o governo sírio.
Uma “guerra humanitária” sob o lema de “Responsabilidade para proteger” (“Responsibility to Protect”, R2P) dirigida contra a Síria também contribuiria para a desestabilização em curso do Líbano.
Se se desenvolvesse uma campanha militar contra a Síria, Israel seria directa ou indirectamente envolvido nas operações militares e de inteligência.
Uma guerra à Síria levaria à escalada militar.
Há actualmente quatro diferentes teatros de guerra: Afeganistão-Paquistão, Iraque, Palestina e Líbia.
Um ataque à Síria levaria à integração destes teatros de guerra separados, conduzindo eventualmente a uma guerra mais vasta no Médio Oriente e Ásia Central, abarcando toda a região desde o Norte de África e o Mediterrâneo até o Afeganistão e o Paquistão.
O movimento de protesto agora em curso destina-se a servir de pretexto e justificação para uma intervenção militar contra a Síria. A existência de uma insurreição armada é negada. Os media ocidentais em coro descreveram os acontecimentos recentes na Síria como um “movimento de protesto pacífico” dirigido contra o governo de Bashar Al Assad, quando a evidência confirma a existência de uma insurgência armada integrada por grupos paramilitares islâmicos.
Desde o início do movimento de protesto em Daraa, em meados de Março, tem havido troca de tiros entre a polícia e as forças armadas por um lado e pistoleiros armados por outro. Actos incendiários contra edifícios governamentais também foram cometidos. No fim de Julho, em Hama, foi ateado fogo a edifícios públicos como o Tribunal e o Banco Agrícola. Notícias de fontes israelenses, se bem que descartando a existência de um conflito armado, reconhecem no entanto que “manifestantes [estavam] armados com metralhadoras pesadas s” ( DEBKAfile , August 1, 2001. Relatório sobre Hama, ênfase acrescentada)
“Todas as opções sobre a mesa”
Em Junho, o senador estado-unidense Lindsey Graham (que actuou no Comité de Serviços Armados do Senado) sugeriu a possibilidade de uma intervenção militar “humanitária” contra a Síria tendo em vista “salvar as vidas de civis”. Graham sugeriu que a “opção” aplicada à Líbia sob a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU deveria ser considerada no caso da Síria.
“Se fez sentido proteger o povo líbio contra Kadafi, e fez porque estava em vias de ser massacrado não houvéssemos enviado a NATO quando ele estava nos arredores de Bengazi, a questão para o mundo [é], chegamos a esse ponto na Síria, …
Podemos ainda não estar aí, mas estamos a ficar muito próximos, de modo que se você realmente se importa acerca da protecção do povo sírio em relação à carnificina, agora é o momento de deixar Assad saber que todas as opções estão sobre a mesa” (CBS “Face The Nation”, June 12, 2011)
A seguir à adopção da Declaração do Conselho de Segurança da ONU referente à Síria (03/Agosto/2011), a Casa Branca apelou, em termos nada incertos, à “mudança de regime” na Síria e ao derrube do presidente Bashar Al Assad:
“Não queremos vê-lo permanecer na Síria a bem da estabilidade e, ao invés, nós o vemos como a causa da instabilidade na Síria”, disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney aos repórteres na quarta-feira.
“E pensamos, francamente, ser seguro dizer que a Síria seria um lugar melhor sem o presidente Assad”, (citado em Syria: US Call Closer to Calling for Regime Change, IPS, August 4, 2011)
Sanções económicas amplas muitas vezes constituem um sinal precursor da intervenção militar total. Uma lei patrocinada pelo senador Lieberman foi apresentada no Senado tendo em vista autorizar sanções económicas gerais contra a Síria. Além disso, numa carta ao presidente Obama no princípio de Agosto, um grupo de mais de sessenta senadores dos EUA apelava à “implementação de sanções adicionais… tornando claro para o regime sírio que ele pagará um custo cada vez maior pela sua repressão ultrajante”.
Estas sanções exigiriam bloquear transacções bancárias e financeiras bem como “acabar com compras de petróleo sírio e cortar investimentos no sector do petróleo e do gás da Síria”. (Ver Pressure on Obama to get tougher on Syria coming from all sides , Foreign Policy, August 3, 2011).
Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA também se encontra com membros da oposição síria no exílio. Também foi canalizado apoio encoberto aos grupos armados rebeldes.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
(continua)

Oportuna divulgação. Vou faze-la também…