Uma “guerra humanitária à Síria? Escalada militar. Rumo a uma guerra mais vasta no Médio Oriente-Ásia Central? 2 – Michel Chossudovsky

 

(continuação)

 

Encruzilhadas perigosas: Guerra à Síria. Cabeça de ponte para um ataque ao Irão

A seguir à declaração de 3 de Agosto do presidente do Conselho de Segurança da ONU dirigida contra a Síria, o enviado de Moscovo junto à NATO, Dmitry Rogozin, advertiu dos perigos de escalada militar:

“A NATO está a planear uma campanha militar contra a Síria para ajudar o derrube do regime do presidente Bashar al-Assad com o objectivo de longo alcance de preparar uma cabeça de ponte para um ataque ao Irão…

“[Esta declaração] significa que o planeamento [da campanha militar} está a caminho. Ela poderia ser uma conclusão lógica daquelas operações militares e de propaganda, as quais têm sido executadas por certos países ocidentais contra a África do Norte”, disse Rogozin numa entrevista ao jornal Izvestia … O diplomata russo destacou o facto de que a aliança tem como objectivo interferir apenas com os regime “cujas visões não coincidem com aquelas do Ocidente”.

Rogozin concordou com a opinião expressa por alguns peritos de que a Síria e depois o Iémen poderiam ser os últimos passos da NATO no caminho para o lançamento de um ataque ao Irão.

“O nó corrediço em torno do Irão está a endurecer. O planeamento militar contra o Irão está em andamento. E nós certamente estamos preocupados acerca de uma escalada numa guerra em grande escala nesta enorme região”, disse Rogozin.

Tendo aprendido a líção líbia, a Rússia “continuará a opor-se a uma resolução violenta da situação na Síria”, disse ele, acrescentando que as consequências de um conflito de grande escala na África do Norte seriam devastadoras para todo o mundo. Beachhead for an Attack on Iran”: NATO is planning a Military Campaign against Syria , Novosti, August 5, 2011)

Planos militares para um ataque à Síria

 

A advertência de Dimitry Rogozin foi baseada sobre informação concreta conhecida e documentada em círculos militares, de que a NATO está actualmente a planear uma campanha militar contra a Síria. Em relação a isto, um cenário de ataque à Síria actualmente está em estudo, envolvendo peritos militares franceses, britânicos e israelenses. De acordo com antigo comandante da Força Aérea Francesa (chef d’Etat-Major de l’Armée de l’air) General Jean Rannou, “um ataque da NATO para incapacitar o exército sírio é tecnicamente factível”.

“Países membros da NATO começariam com a utilização de tecnologia de satélite para identificar defesas aéreas sírias. Poucos dias depois, aviões de guerra, em número maior do que na Líbia, decolariam da base do Reino Unido em Chipre e gastariam umas 48 horas destruindo mísseis terra-ar (SAMs) e jactos sírios. A aviação da Aliança começaria então um bombardeamento ilimitado de tanques sírios e tropas terrestres.

O cenário é baseado em analistas militares franceses, na publicação especializada britânica Jane’s Defence Weekly e na estação de TV Canal 10, de Israel.

Considera-se que a Força Aérea Síria represente uma ameaça pequena. Ela tem cerca de 60 MIG-20 de fabricação russa. Mas o resto – uns 160 MIG-21s, 80 MIG-23s, 60 MIG-23BNs, 50 Su-22 e 20 Su-24MKs – está ultrapassado.

… “Não vejo quaisquer problemas puramente militares. A Síria não tem defesa contra sistemas ocidentais … [Mas] seria mais arriscado do que a Líbia. Seria uma operação militar pesada”, disse Jean Rannou, ex-chee da Força Aérea Francesa, ao EUobserver. Acrescentou que a acção é altamente improvável porque a Rússia vetaria um mandato da ONU, os activos da NATO estão tensionados no Afeganistão e na Líbia e os países da NATO estão em crise financeira. (Andrew Rettman, Blueprint For NATO Attack On Syria Revealed , Global Research, August 11, 2011)

 

Um roteiro militar mais vasto

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Se bem que a Líbia, a Síria e o Irão façam parte do roteiro militar, esta deslocação estratégica, se executada, ameaçaria também a China e a Rússia. Ambos os países têm investimento, comércio e acordos de cooperação militar com a Síria e o Irão. O Irão tem o estatuto de observador na Organização de Cooperação de Shangai (Shanghai Cooperation Organization, SCO).

A escalada é parte da agenda militar. Desde 2005, os EUA e seus aliados, incluindo os parceiros da América na NATO e Israel, foram envolvidos na instalação extensa e na acumulação de sistema de armas avançadas. Os sistemas de defesa aérea dos EUA, países membros da NATO e Israel estão plenamente integrados.

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

 

(continua) 

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