INCÊNDIO NO CHIADO – 25.08.1988 – por Clara Castilho

 

Foi a 25 de Agosto de 1988 que se deu um dos grandes incêndios em Lisboa na zona da Baixa, começando na Rua do Carmo e propagando-se à Rua Garrett. Muitos de nós estávamos de férias e foi com espanto e impotência que assistimos pela televisão a esta desgraça.

 

Muito do que tínhamos na memória, dos locais onde íamos às comprar desapareceu. Nada de Armazéns do

 

Chiado, nada de Jerónimo Martins, nada de Ferrari, nada de Casa Batalha, nada de Grandela…

 

Foram dezoito os edifícios, muitos já do século XVIII que ficaram destruídos. Contabilizam-se em 2.000 as pessoas que na zona trabalhavam e perderam os seus empregos.

 

Informações recolhidas dizem-nos que estiveram envolvidos no combate ao incêndio cerca de 1150 homens e 275 viaturas. Registaram-se duas vítimas mortais e 73 pessoas ficaram feridas ( na sua esmagadora maioria bombeiros).

 

Numa das vezes que a Câmara Municipal de Lisboa me convidou para intervir em seminários, ofereceram-me o livro, por eles editado, ”Armazéns do Chiado” de Helder Ferreira e António Azevedo. Foi um belo presente que ao folhear neste mês de Agosto, me sugeriu este texto.

 

Conta toda a história da baixa de uma forma muito ilustrada. Quando chega ao “dilúvio de chamas” podemos ler: “Quem não se lembra dos incêndios da igreja de S. Domingos e do Teatro nacional D. Maria II? Dir-se-ia que estas calamidades acompanham ciclicamente o dia-a-dia de Lisboa, tendo ocorrido a maior catástrofe aquando do terramoto de 1 de Novembro de 1975.” É também referido o incêndio de Setembro de 1880 no Palácio dos Barcelinhos.

 

Para além do livro citado, podemos ainda encontrar outros que abordam este incidente. A principal de Álvaro Siza –“ Álvaro Siza a Reconstrução do Chiado Lisboa”, da Figueirinhas, outro de António Sachetti – “Chiado: o Incêndio”, da Bertrand, 1989 – morador no Chiado que o fotografou intensamente. Numa outra vertente, temos o romance do escritor francês François Vallejo, professor de literatura clássica na Universidade do Havre, que estava em Lisboa no dia da tragédia e aproveitou aquele ambiente para um dos seus romances, agora  traduzido para português com o título “Incêndio no Chiado”.

 

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