(conclusão)
O papel de Israel e da Turquia
Tanto Ancara como Tel Aviv estão envolvidos no apoio à insurgência armada. Estes esforços são coordenados entre os dois governos e suas agências de inteligência.
O Mossad de Israel, segundo relatos, tem proporcionado apoio encoberto a grupos terroristas radicais Salafi, os quais se tornaram activos no Sul da Síria no início do movimento de protesto em Daraa em meados de Março. Relatos sugerem que o financiamento para a insurgência Salafi está a vir da Arábia Saudita. (Ver Syrian army closes in on Damascus suburbs , The Irish Times, May 10, 2011)
O governo turco do
primeiro-ministro Recep Tayyib Erdogan está a apoiar grupos de oposição sírios no exílio e ao mesmo tempo também a apoiar os rebeldes armados da Fraternidade Muçulmana no Norte da Síria.
Tanto a Fraternidade Muçulmana síria (cuja liderança está exilada no Reino Unido) como o proibido Hizb ut-Tahrir (o Partido da Libertação) estão por trás da insurreição. Ambas as organizações são apoiadas pelo MI6 britânico. O objectivo confessado tanto da Fraternidade como do Hisb-ut Tahir é essencialmente desestabilizar o Estado secular da Síria. (Ver Michel Chossudovsky, SYRIA: Who is Behind the Protest Movement? Fabricating a Pretext for a US-NATO “Humanitarian Intervention” , Global Research, May 3, 2011).
Em Junho, tropas turcas transpuseram a fronteira e entraram no Norte da Síria, oficialmente para resgatarem refugiados sírios. O governo de Bashar Al Assad acusou a Turquia de apoiar directamente a incursão de forças rebeldes no Norte da Síria.
“Uma força rebelde de mais de 500 combatentes atacou uma posição do Exército sírio dia 4 de Junho no Norte da Síria. Eles disseram que o objectivo, uma guarnição da Inteligência militar, foi capturada num assalto de 36 horas no qual foram mortos 72 soldados em Jisr Al Shoughour, próximo à fronteira com a Turquia.
“Descobrimos que os criminosos [combatentes rebeldes] estavam a utilizar armas da Turquia e isto é muito preocupante”, disse um oficial.
Isto assinalou a primeira vez que o regime Assad acusou a Turquia de ajudar a revolta. … Oficiais disseram que os rebeldes pressionaram o Exército sírio desde Jisr Al Shoughour e então tomaram a cidade. Disseram que edifícios governamentais foram saqueados e queimados antes da chegada de outra força de Assad. …
Um oficial sírio que conduziu a operação disse que os rebeldes em Jisr Al Shoughour consistiam de combatentes alinhados com a Al Qaida. Afirmou que os rebeldes empregaram um conjunto de armas e munições turcas mas não acusou o governo de Ancara de fornecer o equipamento”. ( Syria’s Assad accuses Turkey of arming rebels , TR Defence, Jun 25 2011)
O acordo de cooperação militar Turquia-Israel
A Turquia e Israel têm um acordo de cooperação militar o qual está ligado de um modo muito directo com a Síria bem como com a estratégica linha costeira sírio-libanesa do Mediterrâneo oriental (que inclui as reservas de gás no offshore da costa do Líbano e rotas de pipelines).
Já durante a administração Clinton, iniciou-se uma aliança militar triangular entre os EUA, Israel e Turquia. Esta “tripla aliança”, a qual é dominada pela US Joint Chiefs of Staff, integra e coordena decisões de comando militar entre os três países relativas ao conjunto do Médio Oriente. É baseada nos estreitos laços militares respectivamente de Israel e Turquia com os EUA, a par de um forte relacionamento bilateral entre Tel Aviv e Ancara.
A tripla aliança também é complementada pelo acordo de cooperação militar NATO-Israel de 2005, o qual inclui “muitas áreas de interesse comum, tal como o combate contra o terrorismo e exercícios militares conjuntos. Estes laços de cooperação militar com a NATO são encarados pelos militares israelenses como meios para “potenciar a capacidade de dissuasão de Israel em relação a potenciais ameaças inimigas, principalmente do Irão e da Síria”. (Ver Michel Chossudovsky, “Triple Alliance”: The US, Turkey, Israel and the War on Lebanon, August 6, 2006)
Enquanto isso, o recente remanejamento de altas patentes da Turquia reforçou a facção pró islâmica no interior das forças armadas. No fim de Julho, o Comandante em Chefe do Exército e chefe da Joint Chiefs of Staff da Turquia, general Isik Kosaner, resignou juntamente com os comandantes da Marinha e Força Aérea.
O general Kosaner representava uma posição amplamente laica dentro das Forças Armadas. Para substituí-lo o general Necdet Ozel foi nomeado como comandante do Exército.
Estes desenvolvimentos são de importância crucial. Eles tendem a apoiar interesses dos EUA. Eles também apontam para uma mudança potencial dentro das forças armadas em favor da Fraternidade Muçulmana incluindo a insurreição armada no Norte da Síria.
“Novas nomeações fortaleceram Erdogam e o partido dominante na Turquia… O poder militar é capaz de executar projectos mais ambiciosos na região. Prevê-se que em caso de utilização do cenário líbio na Síria seja possível que a Turquia peça intervenção militar”. ( New appointments have strengthened Erdogan and the ruling party in Turkey: Public Radio of Armenia , August 06, 2011, ênfase acrescentada)
A extensa Aliança Militar da NATO
O Egipto, os estados do Golfo e a Arábia Saudita (dentro da aliança militar estendida) são parceiros da NATO, cujas forças podiam ser deslocadas numa campanha dirigida contra a Síria.
Israel é um membro da NATO de facto após o acordo assinado em 2005.
O processo de planeamento militar dentro da aliança extensa da NATO envolve coordenação entre o Pentágono, a NATO, as Forças Armadas de Israel (IDF), bem como o envolvimento militar activo de estados árabes, incluindo Arábia Saudita, os estados do Golfo e o Egipto: ao todo, dez países árabes mais Israel são membros do The Mediterranean Dialogue e da Istanbul Cooperation Initiative.
Estamos em encruzilhadas perigosas. As implicações geopolíticas são de extremo alcance.
A Síria tem fronteiras com a Jordânia, Israel, Líbano, Turquia e Iraque. Ela estende-se através do vale do Eufrates, está nos cruzamentos dos principais cursos de água e rotas de pipelines.
A Síria é uma aliada do Irão. A Rússia tem uma base naval no Noroeste da síria (ver mapa).
O estabelecimento de uma base em Tartus e o avanço rápido da cooperação em tecnologia militar com Damasco torna a Síria cabeça de ponte instrumental da Rússia e um baluarte no Médio Oriente.
Damasco é um aliado importante do Irão e inimigo irreconciliável de Israel. Não é preciso dizer que o surgimento da base militar russa na região certamente introduzirá correcções na correlação de forças existente.
A Rússia está a tomar o regime sírio sob a sua protecção. Isso quase certamente azedará as relações de Moscovo com Israel. Pode mesmo encorajar o vizinho regime iraniano e torná-lo menos manejável nas conversações do programa nuclear. (Ivan Safronov, Russia to defend its principal Middle East ally: Moscow takes Syria under its protection , Global Research July 28, 2006)
Cenário III Guerra Mundial
Durante os últimos cinco anos, a região Médio Oriente-Ásia Central tem estado em pé de guerra.
A Síria tem capacidades de defesa aérea significativas, assim como de forças terrestres.
A Síria tem estado a reforçar seu sistema de defesa aéreo com a entrega de mísseis russos Pantsir S1. Em 2010, a Rússia entregou à Síria o sistema míssil Yakhont. Os Yakhont, a operarem na base naval Tartus, da Rússia, “são concebidos para combaterem navios do inimigo à distância de até 300 km”. ( Bastion missile systems to protect Russian naval base in Syria , Ria Novosti, September 21, 2010).
A estrutura das alianças militares dos lados EUA-NATO e Síria-Irão-SCO, respectivamente, sem mencionar o envolvimento militar de Israel, o complexo relacionamento entre a Síria e o Líbano, as pressões exercidas pela Turquia na fronteira Norte da Síria, apontam iniludivelmente para um perigoso processo de escalada.
Qualquer forma de intervenção militar patrocinada pelos EUA-NATO contra a Síria desestabilizaria toda a região, conduzindo potencialmente à escalada numa vasta área geográfica, estendendo-se desde o Mediterrâneo Oriental até a fronteira Afeganistão-Paquistão com o Tajiquistão e a China.
No futuro próximo, com a guerra na Líbia, a aliança militar EUA-NATO está excessivamente tensa em termos de capacidades. Apesar de não prevermos a implementação de uma operação militar EUA-NATO no curto prazo, o processo de desestabilização política através do apoio encoberto a uma insurgência rebelde provavelmente continuará.
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PREFACE A New War Theater in North Africa CHAPTER I: INTRODUCTION The Cult of Killing and Destruction CHAPTER II: THE DANGERS OF NUCLEAR WAR Hiroshima Day 2003: Secret Meeting at Strategic Command Headquarters CHAPTER III: AMERICA’S HOLY CRUSADE AND THE BATTLE FOR OIL America’s Crusade in Central Asia and the Middle East CHAPTER IV: PREPARING FOR WORLD WAR THREE Media Disinformation CHAPTER V: TARGETING IRAN WITH NUCLEAR WEAPONS Building a Pretext for a Pre-emptive Nuclear Attack CHAPTER VI: REVERSING THE TIDE OF WAR Revealing the Lie |
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