Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor, somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos,
dei causa a que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos…
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro Génio de vinganças!
Este é outro dos grandes sonetos de Luís de Camões. Também o fui buscar às Líricas, edição da Textos Literários, de 1955, com selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa. Informa-nos que este soneto terá aparecido pela primeira vez numa edição de 1616.
