A PERCEPÇÃO NO ÂMBITO DA ARQUITECTURA, por José de Brito Guerreiro

A Percepção é um processo pelo qual um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais no sentido de atribuir significado ao seu meio.


Na psicologia, o estudo da percepção é de extrema importância porque o comportamento das pessoas é baseado na interpretação que fazem da realidade e não sobre a própria realidade. Por este motivo, a percepção do mundo é diferente para cada um de nós, cada pessoa percebe um objecto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si própria.

 

O processo de percepção tem início com a atenção que não é mais do que um processo de observação selectiva, ou seja, das observações por nós efectuadas. Este processo faz com que nós percepcionemos alguns elementos em desfavor de outros. Desta forma, são vários os factores que influenciam a atenção e que se encontram agrupados em duas categorias: a dos factores externos, próprios do meio ambiente, e a dos factores internos, próprios do nosso organismo.

 

Na percepção das formas são conhecidos quatro princípios básicos que a influenciam: a tendência à estruturação, pois temos a propensão para organizar elementos que se encontram próximos uns dos outros ou que sejam semelhantes; o princípio da segregação figura-fundo, que explica que percepcionamos mais facilmente as figuras bem definidas e salientes que se inscrevem em fundos indefinidos e mal contornados; a pregnância das formas, que consiste na qualidade que determina a facilidade com que percepcionamos figuras, porquanto percepcionamos mais facilmente as formas simples, regulares, simétricas e equilibradas; e a constância perceptiva que se traduz na estabilidade da percepção, visto que os seres humanos possuem uma resistência acentuada à mudança.

 

Com respeito à percepção da profundidade sabe-se que esta advém da interacção de factores orgânicos com factores ambientais. São exemplos dos factores orgânicos: a acomodação do cristalino que é uma espécie de lente natural de que dispomos para focar convenientemente os objectos; e a convergência das linhas de visão, ou seja, a posição das linhas altera-se sempre que olhamos para objectos situados a diferentes distâncias.

 

Para exemplificar os factores ambientais temos o princípio do contraste luz-sombra, uma vez que as partes salientes dos objectos são mais claras que as restantes, em função da iluminação recebida, e a grandeza relativa, porquanto a profundidade pode ser representada variando o tamanho e a distância dos objectos pintados, parecendo-nos os objectos mais distantes mais pequenos do que aqueles que estão mais próximos.

 

 

 

 

 

 

 Relativity, M. C. Escher, 1953                 Drawing Hands, M. C. Escher, 1948 

 

  

 

Tratemos ora a percepção no âmbito da arquitectura, sendo a arquitectura uma arte, como o arquitecto Luís M. B. Moreira Pinto o corrobora «A arquitectura é uma arte. Não há forma de não o ser. A arquitectura é uma forma de arte, que é consagrada assim desde o seu início.»

  

De acordo com o antropólogo Edward Hall a arte constitui uma das fontes de informação mais importantes acerca da percepção humana ou, mais concretamente, a arte é a história da percepção humana. A arte de uma cultura revela muito sobre o mundo perceptivo dessa cultura. Ainda segundo o mesmo autor, ao estudar a arte do passado é possível aprender algo a partir das nossas próprias respostas sobre a natureza e organização dos nossos sistemas visuais e expectativas, assim como desenvolver algumas noções de como poderia ter sido o mundo perceptivo dos primeiros humanos.

 

A percepção é um instrumento que o homem tem para compreender a arte, em geral, e a arquitectura, em particular, enquanto testemunhos e modos de expressão das vivências, sentimentos e aspirações da humanidade.

 

Segundo o arquitecto Luís M. B. Moreira Pinto «A percepção como o primeiro passo que leva à expressão, e a expressão como essencial para a percepção. Um “vê” e “interpreta”, o outro “representa”.»

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

. Hall, Edward – A Dimensão Oculta. Lisboa, Relógio d’Água, 1986.

 

. Pinto, Luís M. B. Moreira – História da Percepção na Acção Projectual. Porto, Universidade Portucalense, 2007.

 

. Percepção. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-12-08]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$percepcao>.

 

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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