Reviravolta nos modos de ser e fazer – por António Mão de Ferro

(Publicado no Estrolabio em 30 de Maio de 2010)

 

Ainda não há muito tempo que a integração na comunidade era feita através da família.

 

Quando se fala nisso recorda-se esse tempo com agrado, amargura ou saudade, mas normalmente com emoção.

 

Essa transmissão de usos e costumes permitia a interiorização de valores socialmente aceites e a sua submissão a eles. A família nuclear era a base da primeira acção formativa. Neste momento assistimos a uma desagregação da família e a acção que se verificava, está a diluir-se. Será isso preocupante? Penso que não. Não raras vezes, no seio da família nuclear, o chefe de família, “cabeça de casal”, punha em situação de dependência e submissão a mulher e os filhos. O controlo que era exercido e o conceito de honra, limitavam o acesso a outras formas de cultura, dificultando a inovação e a criatividade, desde que não se coadunassem com as regras que a família veiculasse.

 

Talvez isto explique o facto de muitas empresas ainda funcionarem na base dos mesmos princípios da família nuclear tradicional e, como tal refugiarem-se na segurança de um sistema fechado, cujas verdades são defendidas como uma espécie de porta estandarte. Esse modo de funcionamento dificulta o desenvolvimento dos colaboradores e a sua capacidade de adaptação porque os alicerces em que assenta acabam por ruir. O importante nos dias que correm não é acatar uns tantos conceitos, umas tantas normas.

 

O fundamental é ter capacidade para raciocinar, para fazer coisas. Não raciocinar é o mesmo que ter os olhos fechados sem fazer esforço para os abrir. É preciso duvidar das certezas, eliminar a apatia e provocar uma reviravolta nos modos de ser e de fazer. Publicada por carlos loures às 09:00 1 comentários Etiquetas: antónio mão de ferro, família monoparental

 

António Mão de Ferro nasceu em 1947 em Portalegre. Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desempenhou as funções de técnico superior no Instituto do Emprego e Formação Profissional e Coordenador a nível nacional da Formação Pedagógica de Formadores e de Promotores de Formação.

 

Foi docente em Mestrados de Sociologia no ISCTE (actual IUL). Colaborou durante oito anos no Diário de Noticias, publicando artigos sobre Emprego e Formação; É autor de obras destinadas à formação profissional, destacando-se o livro “Na Rota da Pedagogia”.

 

É o director-geral da empresa Nova Etapa – Formação e Consultoria; Fez formação para Quadros Médios e Superiores em todo o País e em Angola e Cabo Verde. Fez ainda formação para Formadores Italianos e Espanhóis. Concebeu um projecto de Formação Pedagógica de Formadores a Distância blearning que é um case study.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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