Dois poemas satíricos – por Luís Manuel de Almeida Pessoa

 

CICLONES, TUFÕES, FURACÕES, TORNADOS…

 

Pelas Américas andou

A Irene, um furacão,

Matou gente, destruiu,

Foi uma tal devastação!

Aquela zona é atreita

A ventanias que tais…

Derrubam tudo, inundam

Aqueles sítios tropicais.

Inda estarão bem lembrados:

Katrina, Nova Orleães…

Que matou gatos, galinhas,

Vacas, pessoas e cães…

Antigamente os ciclones

Tinham nomes femininos…

Feministas protestaram

E já os há masculinos.

Vai, por isso, haver José

Pra compensar as Vanessas,

As Camilas, Manuelas

E outras iguais a essas…

 

Nós, por cá, também os
  temos,

Uns furacões assim fortes…

Grandes prejuízos dão

E até provocam mortes…

Mas cá têm nomes de machos:

São Santanas e Durões,

E Sócrates e Guterres

E Cavacos e pavões.

Qual deles mais pernicioso,

Qual deles mais
  prejudicial,

Qual deles mais empenhado

Em destruir Portugal.

Mas não foram suficientes,

Algo resistiu aqui…

Pr’acabar de vez connosco

Mandaram vir o Efemi.

E ele, todo contente, veio.

Disto é que ele gosta, o
  chacal…

Veio-se refocilar

Cos restos de Portugal.

Arranjou cá bons parceiros:

P. S. D. e C. D. S.

Pra se sentarem à mesa

E a lacaio o P. S.

Isso é que é um tal festim!

É até tocar co’o dedo…

A pouca vergonha é imensa

Mas el’s de nada têm medo!

O Zé Povo Magricela

É chupado até ao tutano,

‘stá amarelo, escanzelado,

Não dura até ao fim do ano…

Só come meia batata

Por dia – e nada mau!

Ovo cozido – Um por mês,

Só bebe água – e é um pau…

Vai trabalhar mais uns
  anos,

Ter menor retribuição…

Férias serão só lembrança,

F’riados recordação…

Miséria, desgraça assim…

Confesso que não me lembro…

Será que a gente se aguenta

Até ao fim de setembro?

Será que haverá protestos?

Greves ou levantamentos?

Vamos mexer mesmo, a sério?

Ou ficar p’los pensamentos?

Que vais fazer, Zé Povinho?

Limitas-te a resmungar?

Irás levantar a grimpa?

Ou, como sempre, aceitar?

 

Beijas a mão ao carrasco

Até seres guilhotinado?

És um bicho ou és um homem?

Ou ‘starás mesmo castrado?

 

 

 

 

O BICHO DA MADEIRA

 

Há um provérbio que diz

Mate-se o porco, o requinho

Lá prò onze de novembro,

Que é dia de S. Martinho.

O pobre bicho já sabe

O dia do passamento,

E ao chegar a essa data

Já ele fez o testamento.

A maior parte assim 
  faz…

Há um que… não há maneira…

Quando chegará o dia

Àquele porco da Madeira?

 

 

 

  
  
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
  
  
  
 
  
 

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