UM CAFÉ NA INTERNET – Um poema de Mário de Sá-Carneiro, traduzido para catalão por Josep A. Vidal

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mário de Sá-Carneiro 

 

(1890-1926)

 

Traducció de Josep A. Vidal

 

 

 

IMATGE FALSA

 

 

És sols or fals allò que em fa el ulls d’or;

sóc esfinx sens misteri en el ponent.

La tristesa de tot el que no fou

en la meva ànima cau veladament.

 

Al meu dolor s’hi esberlen coltells d’ànsia,

rebrots de llum amb tenebra es mixturen.

Les ombres que propago no perduren,

com l’Ahir, m’és l’Avui només distància.

 

Ja no tremolo davant del secret;

res no m’exalça ja, res no m’aterra:

la vida em passa pel damunt en guerra,

sense ni el més petit estremiment!

 

Sóc l’estel ebri del cel desviat,

sirena folla que fugí del mar,

sóc temple sense déu que prest caurà,

imatge falsa encara al pedestal.

 

 

 

Mário de Sá-Carneiro num desenho de Almada Negreiros  

 

 

Estátua falsa

 

Só de ouro falso os meus olhos se douram;

Sou esfinge sem mistério no poente.

A tristeza das coisas que não foram

Na minha’alma desceu veladamente.

 

Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,

Gomos de luz em treva se misturam.

As sombras que eu dimano não perduram,

Como Ontem, para mim, Hoje é distância.

 

Já não estremeço em face do segredo;

Nada me aloira já, nada me aterra:

A vida corre sobre mim em guerra,

E nem sequer um arrepio de medo!

 

Sou estrela ébria que perdeu os céus,

Sereia louca que deixou o mar;

Sou templo prestes a ruir sem deus,

Estátua falsa ainda erguida ao ar…

 

 

 

 

(da obra “Indícios de Oiro”, publicada postumamente em 1937 pela Presença. Este poema, e a sua versão em catalão,  já tinham sido publicados no Estrolabio, na secção Quatre Barres, em 15 de Novembro de 2010).

 

 

 

 

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