O Islão tolerante de há um milénio – por Carlos Loures

 

Um dos poetas que mais admiro, cuja obra leio e releio, é o grande Omar Khayyam, nascido no século XI.  no actual Irão, Alguns dos seus maravilhosos rubayat são dedicados ao vinho, ao prazer de beber. Fernando Pessoa, inspirou-se neles para escrever «Canções de Beber»: a investigadora da Faculdade de Letras de Lisboa, Maria Aliete Galhoz, fez uma recolha dos  rubayat de Fernando Pessoa acompanhada de um valioso estudo. Mas não é dessas poesias, a de Khayyam e a de Pessoa, que quero falar. O meu tema de hoje é a apropriação que os aparelhos clericais fazem das palavras dos profetas. Palavras que, em muitos casos, nem sequer foram ditas. Em suma, manipulação de massas.

 

Tal como Marx nunca se disse marxista, Cristo nunca manifestou a intenção de criar uma nova religião e muito menos se afirmou «cristão». Veja-se o edifício teológico que a partir de escritos realizados muitos anos depois da sua morte se construiu. Os concílios foram, palavra a palavra, falácia a falácia, mentira a mentira, edificando uma igreja, cujos actos praticados ao longo de dois milénios, estou certo, Cristo repudiaria liminarmente. Toda a igreja cristã se baseia em mentira, aliás, todas as igrejas são fabricadas da mesma maneira – usando a superstição e a ingenuidade  dos fiéis, manipulando-a.

 

Omar Khayyam, era crente no Islão (afirma-o com alguma frequência). Como conciliava essa crença com o gosto pela bebida, sabendo-se que o Corão proíbe o consumo de álcool? Ora o profeta apenas pôs reticências ao vinho de tâmara. E este desajustamento entre o que Maomé terá realmente determinado e aquilo que os clérigos dizem que ele determinou, dá que pensar. Lembremos o que sucedeu com a Bíblia, em que os teólogos ligados ao aparelho da Igreja, manipularam os textos, moldando-os às suas seculares conveniências – o Concílio de Trento parece ter sido fértil em ajustamentos dos textos sagrados à práxis de Roma. Onde quero chegar é se tal como sucedeu com a Bíblia, o Corão não estará a ser manipulado teologicamente? Os islamistas encontram no livro sagrado justificações para o seu integrismo e para a sua acção fanática.  

 

Há mil anos, quando uma grande parte da bacia do Mediterrâneo estava submetida ao Islão, a tolerância era muito maior do que hoje, com os crentes no Islão cercados pelas pulsões de um capitalismo avassalador que se difunde á escala global e um fanatismo insano. Á mil anos, a tolerância  dos islamitas era  muito maior. E o esplendor cultural muçulmano, também.

 

Diversas pessoas me têm enviado fotos de uma manifestação em Londres como reacção a um artigo que aqui publiquei sobre as causas do fundamentalismo islâmico.

 

Não sei se as fotos são verdadeiras e se, de facto correspondem a uma manifestação em Londres, facilmente, quem quiser  as poderá ver, pois circulam abundantemente pela net. Exibem-se cartazes, em que se pede a decapitação para quem ofenda o Islão, avisa-se que o verdadeiro holocausto vem a caminho, etc. Se são verdadeiras, demonstram até que ponto as estruturas clericais islâmicas e, sobretudo, as agrassões coloniais a que os muçulmanos têmn sido sujeitos, conduziram um povo às trevas do fanatismo religioso.

 

1 Comment

  1. Allahu akbar.También significa que allah es el mayor engañador.El mayor error.el más grande terrorista,….el mayor demonio.Iso que no se dice a los musulmanes.Esto demuestra que el Islam es engañosa.sólo fuera del Islam, El Verdadero Dios puede Existir y Ser Fuente de Vida y la Verdad.

Leave a Reply