O que tem Pearl Harbour a ver com o 11 de Setembro? – Augusta Clara

 

Quando ouvi, no passado dia 11, em mesa redonda da SIC Notícias, um seu comentador, Miguel Monjardino, fazer a afirmação de que o 11 de Setembro foi para a América o mesmo que Pearl Harbour, pensei que, das duas uma: ou desconhecia alguns pormenores importantes relativos aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, hipótese em que não acredito, ou, como não nos esclareceu sobre a sua afirmação, só ele saberá o que quis dizer com isso.

 

Outro dos participantes, Nuno Rogeiro, fez questão – pelo menos foi essa a convicção com que fiquei – de não deixar acabar o debate sem declarar que a guerra do Iraque não teve nada a ver com a queda das Torres Gémeas. Não disse que a queda das Torres Gémeas não teve nada a ver com a guerra do Iraque. Parece-me a mim, não especialista em linguística, haver uma certa diferença semântica entre estas duas frases.

 

É conhecido, e está documentado ao pormenor no livro de Jean-Jacques Servan-Shreiber O Desafio Mundial, o conjunto de decisões que o presidente Roosevelt tomou com o objectivo de suscitar um incidente bélico grave a ponto de levar a população americana a aceitar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. E esse incidente foi o ataque japonês ao quartel-general da frota americana no Pacífico, situada em Pearl Harbour, no Hawai.

 

É claro para mim que nunca, salvo acontecimento trágico, conseguiremos o acordo do Congresso e do país para entrar em guerra contra a Alemanha, confia Franklin Roosevelt a Hary Hopkins, seu amigo íntimo e único confidente. Provavelmente mais ninguém saberia dos propósitos do homem que se recandidatou pela terceira vez à presidência com esse objectivo, embora tacticamente o tivesse negado durante a campanha eleitoral.

 

Com uma “paciência do chinês” e no segredo dos deuses, Roosevelt gizou a situação – congelou os bens japoneses nos Estados Unidos quando o Japão ocupou a Indochina e conseguiu que o governador das ilhas holandesas (actual Indonésia) suspendesse o envio de petróleo para Yokohama e Nagasaki, ou seja, pôs os japoneses ao rubro. E, através da decifração que os serviços secretos tinham conseguido fazer do código de transmissões entre Tóquio e as bases militares japonesas no pacífico, tornou-se evidente que um ataque a Pearl Harbour estava  iminente.

 

A América entrou na guerra e a sua participação foi decisiva para a derrota de Hitler. Os que morreram em Pearl Harbour foram conscientemente sacrificados pelo combate aos nazis, tal como o foram, de forma absolutamente condenável, já a guerra se considerava ganha (De Gaule afirmou-o ao saber do ataque japonês) – Roosevelt tinha morrido e o presidente chamava-se, agora, Harry Truman -, os que morreram sob as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki numa altura em que a URSS estava em condições de fazer o rescaldo com o Japão. Mas disso já aqui falámos antes.

 

Então, o que tem tudo isto que lembrámos a ver com o ataque ao World Trade Center em Nova Iorque?

 

Passaram mais de sessenta anos sobre o fim da Segunda Guerra Mundial mas este acontecimento é, ainda, muito recente para lhe podermos conhecer bem os contornos.

 

Franklin Roosevelt era um democrata. Ainda falava na emancipação dos povos do mundo, colonizados ou explorados, tal como Lincoln o tinha feito.

 

De lá para cá, a América enriqueceu. O desenvolvimento das suas indústrias requereu de forma crescente a utilização de combustíveis, sendo o petróleo o mais abundante e de mais fácil acesso. Porém, as jazidas norte americanas tornaram-se, com o tempo, insuficientes para as necessidades cada vez maiores, e a cobiça por esse precioso hidrocarboneto, tão abundante nos países asiáticos, fez os governantes dos EUA perderem toda a espécie de racionalidade e de moral relativamente aos bens propriedade desses povos.

 

O presidente dos Estados Unidos, bem como o seu séquito, na altura do ataque às Torres Gémeas, tinha a democracia a léguas de distância dos seus interesses. George W. Bush, um neoconservador sem escrúpulos, que rezava a Deus como quem reza ao Diabo, poderá muito bem ter envolvido os seus serviços secretos numa acção que o catapultasse com toda a “legitimidade”, aos olhos dos cidadãos do seu país – e, como sabemos, não só – para a intervenção militar no Iraque.

 

As armas de destruição massiva foram o objecto de propaganda, mal sucedida, mas o esquema pode muito bem ter sido montado noutros bastidores. Há quem lhe chame teoria da conspiração mas, a verdade é que muitas observações feitas a seguir aos ataques não são de todo disparatadas e actualmente as dúvidas dos peritos avolumam-se.

 

Já estava a escrever este texto quando dei com os olhos num artigo precisamente sobre o assunto intitulado “11/Set: Demolições controladas” da autoria de Manlio Dinucci (ver http:resistir.info).

 

No referido artigo pode ler-se que peritos de estruturas, conhecedores das características e  do comportamento dos materiais de que eram feitas as torres, afirmam que elas nunca ruiriam devido a um incêndio provocado pelo combustível dos aviões e denunciam o facto de todo o aço dos edifícios ter sido rapidamente reciclado fora do país e em empresas da confiança do Pentágono. O estudo das poeiras, segundo um professor de uma universidade do Estado de Utah, revelou a existência de uma substância capaz de cortar o aço “como uma faca corta manteiga” sem necessitar, para isso, de temperaturas elevadas. 

 

O seu estudo foi publicado numa revista científica sujeita a peer reviews (as revistas onde só se publicam artigos de comprovada qualidade científica) mas o Prof. Steven Jones, por sustentar uma tese contrária à da versão oficial, foi expulso da sua Universidade.

 

O ataque às Torres Gémeas levou os EUA a entrarem noutra guerra, desta vez por objectivos bem diferentes do que os de há 60 anos. Mas o cenário da provocação não teria sido, de novo, pormenorizadamente montado? Talvez só o distanciamento histórico o venha a provar.

 

2 Comments

  1. Pois é, Adão, as verdades relativas a estes acontecimentos , na maior parte dos casos, ficam só pelo “parece…” Ainda que haja quem as detenha, a opinião pública nunca fica a saber como as coisas se passaram. E o tempo sobrepõe-lhes outros acontecimentos. Obrigada pelo teu comentário .

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