Paio Peres Correia (1210? -1275)
D. Paio Peres Correia, que morreu em 1275, terá nascido cerca de 1210. Foi seu pai D. Pêro Pais Correia e sua mãe D. Dórdia Pais de Aguiar.
Paio Peres Correia foi responsável por inúmeras conquistas. Alcácer, Mértola, Lagos, Tavira e Sevilha, foram somente algumas das inúmeras localidades em que acção de D. Paio e seus homens se revelaram determinantes para a reconquista do território ibérico.
No princípio do século XIII, apesar de Lisboa estar já nas mãos dos portugueses, havia ainda alguns mouros a vaguear pelos arredores, assaltando e matando. Entre eles, destacava-se o jovem Abu (ou Abul) que, segundo a lenda que o refere, a Lenda do Guerreiro e da Virgem, jurou a si mesmo recuperar as terras perdidas e vingar a morte do seu avô e do seu pai. Mas os seus companheiros não estavam para aí voltados, pois desde a queda de Almada que tinham vontade de se tornar vassalos do monarca português. Abu considerava isso uma traição. E, desesperado, arranjou um bando de jovens mouros para atacar tudo o que fosse cristão nos arredores de Almada.
Um dia resolveu assaltar uma quinta às portas de Almada. As pessoas que lá viviam e trabalhavam fugiram, mas o dono, um velho capitão, e a sua filha lutaram até ao fim para defender a sua propriedade. Mas Abu e os seus conseguiram vencê-los e entrar na casa. O mouro ficou espantado e sensibilizado com aquelas gentes frágeis e corajosas que o haviam enfrentado. Não teve coragem de os matar e rendeu-se à beleza de Alda a filha do capitão. Rezou a Alá para que o inspirasse e ajudasse a tomar a decisão certa.
Entretanto, o cavaleiro Paio Peres Correia e os seus homens, regressados de Mértola, entraram na casa e enfrentaram os mouros. Paio Peres ficou espantado quando viu formosa Alda. O cavaleiro venceu Abu e preparava-se para matá-lo quando Alda lhe pediu que o poupasse tal como ele tinha poupado a sua vida e a de seu pai. Paio Peres sorriu ao ler nos olhos de Abu e Alda a paixão que sentiam um pelo outro. Propôs, então, poupar-lhe a vida se ele se convertesse. Abu aceitou.
Com cerca de 20 anos, D. Paio Peres Correia era já membro da Cavalaria de Santiago, em Alcácer do Sal. Tem depois uma ascensão fulgurante dentro da ordem, que assenta nas muitas vitórias que obtém sobre os mouros. Em boa verdade, ainda antes de conquistar o Algarve, ele era já Grão-Mestre de toda a ordem. Nesta qualidade, serve Fernando III de Castela e o seu filho, o futuro D. Afonso X. Participa nas lutas que se travam na serra de Segura, está depois na conquista de Mula, de Jaén, etc. Um dos momentos cimeiros da sua carreira teve lugar aquando da tomada de Sevilha.
Para termos uma ideia da importância e da fama que Paio Peres Correia teve diremos que este guerreiro terá dado um auxílio decisivo a dois dos nossos reis, D. Sancho II e D. Afonso III, na conquista do Algarve.
Em 1242, D. Paio Peres Correia recuperou Tavira aos Mouros, numa batalha sangrenta. Esta pugna não foi mais do que uma retaliação pelo assassinato de seis cavaleiros da Ordem de S. João e de um artesão que caçava com eles. Com a recuperação da cidade por parte dos Cristãos, a maioria dos Mouros fugiu, mas o número reduzido dos que ficaram instalou-se num pequeno bairro, conhecido por Mouraria. A população de Tavira foi dizimada com esta batalha.
A Igreja de Santa Maria do Castelo, em Tavira, contém o túmulo de D. Paio Peres Correia e dos seus cavaleiros. Este templo data do século XIII e a Torre do Relógio é uma remodelação do minarete mouro original. A cabeça esculpida de D. Paio Peres Correia, que morreu em 1275, pode ser vista no canto direito do edifício.
Pode-se dizer que D. Paio Peres Correia está no escudo nacional, já que conquistou todos os castelos algarvios que nele se representam.
A seguir:Gil de Valadares

