HOMENAGEM A JANUSZ KORCZAK – por Clara Castilho

 O último texto sobre Agostinho da Silva e o seu pensar sobre a escola fez-me lembrar um outro grande

 homem – JANUSZ KORCZAK – de que já tinha lido alguns livros. E pensei que seria uma boa continuidade relembrar a vida deste homem, o que ele fez pelas crianças com quem conviveu e a sua coerência de vida.

 “Sem uma infância serena e completa, toda vida posterior fica mutilada.”

 De seu verdadeiro nome Henryk Goldszmit, nasceu em Varsóvia em 1878, numa família abastada. Várias vicissitudes levaram a que terminasse o seu curso de medicina com dificuldades.

 A partir de 1911, dirigiu o orfanato “Casa dos Órfãos”. Nele colocou em prática todos seus ideais de educação como utopia de uma sociedade pacífica, sem distinção de classes. Considerava que o mundo estava dividido em duas classes: a dos adultos e a das crianças. Entre elas reinava uma luta constante e desigual, onde as crianças ficavam a perder. Também foi influenciado pelo pensamento pedagógico do começo do século 20, que criticava a escola tradicional, segundo a qual as crianças eram tratadas como adultos pequenos, sem interesse pelas especificidades dessa fase. As crianças publicavam um jornal e faziam a sua leitura semanalmente em conjunto. Os problemas entre as crianças eram resolvidos em assembleia conjunta. 

 

Numa das suas obras, “Como amar uma criança” desenvolveu as suas ideias, defendendo uma “República das Crianças”. A capacidade de Korczak em  se colocar na posição da criança é uma das suas características O livro “Quando Eu Voltar a Ser Criança“ conta a história de um professor que volta a ter 7 anos, a morar com os pais e a irmãzinha e ir à escola. O texto mostra como muitas vezes os adultos são tiranos e questiona essa superioridade. E dele, retiro algumas passagens:

 “Se soubesse naquela época, nunca teria feito força para crescer. Ser criança é mil vezes melhor. Os adultos são infelizes. Não é verdade que eles podem fazer o que querem. Têm até menos liberdade do que as crianças. Têm pesadas responsabilidades…”

 ”Nós vivemos como um povo de pigmeus, subjugado por sacerdotes gigantes que detêm a força dos músculos e a ciência secreta.”

 …”Chegam as férias, mas na porta da escola reúnem-se meninos e meninas que gritam:”Deixem a gente entrar! Não queremos férias , queremos ir à escola!”

 Em Agosto de 1942, durante a exterminação do gueto de Varsóvia, foi ordenado que as crianças do orfanato fossem enviadas para o campo de morte de Treblinka. Depois de reunir as 200 crianças, Korczak com elas desfilou pelas ruas da cidade, até aos vagões do comboio que os levariam a Treblinka, onde todos morreram em câmaras de gás.

 

 

 

 

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