Diário de Bordo – 16 de Setembro de 2011

 

 

 

O governo português vai continuar nos tempos mais próximos com a política dita de equilíbrio orçamental. Para tal, impõe-nos pesados sacrifícios. São anunciados mais aumentos de impostos, dos preços dos transportes, do gás, da electricidade. Concluímos que se pensa que o tal equilíbrio orçamental só pode ser conseguido à custa de um drástico abaixamento do nosso nível de vida.

 

Esse abaixamento do nosso nível de vida vai levar fatalmente a uma quebra no nosso consumo. As nossas importações vão também diminuir. O aumento das exportações, que já o governo anterior indicava como devendo ser o motor da nossa recuperação económica, está comprometido, em primeiro lugar, pela crise que também existe noutros lados, em segundo pelo enfraquecimento do nosso tecido produtivo, em boa parte causado pela imposição de políticas de severa austeridade, que afectam seriamente a vida dos portugueses.

 

Tradicionalmente a emigração tem sido a válvula de escape para as tensões sociais portuguesas. O desemprego, os baixos salários, a degradação do nosso modesto nível de vida, vão incentivar cada vez mais portugueses a procurarem refazer a sua vida lá fora. Mais um dos grandes objectivos anunciados por Passos Coelho, o de criar condições para evitar a emigração, será assim posto em causa. Entretanto, assistimos ao reforço das nossas relações com Angola, inclusive no campo das facilidades na passagem de vistos, sem preocupação com o estilo de governo que ali impera. Vemos Paulo Portas acorrer à Líbia ainda em guerra, e para os menos atentos convém não esquecer as relações que já existiam com o regime de Khadafi. Não será legítimo perguntar se estas diligências não se destinam apenas a facilitar os investimentos, mas também (sobretudo?) a emigração da nossa mão-de-obra. Da mais qualificada, claro. Velhas soluções para problemas novos. 

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