É já neste sábado, 17 de Setembro, Dia da Língua Mirandesa, que decorre a apresentação nacional da obra Tempo de Fogo / La Bouba de La Tenerie, de Amadeu Ferreira (Fracisco Niebro, na versão mirandesa). Esta é a primeira publicação simultânea de um livro nas duas línguas nacionais, português e mirandês. O evento decorre pelas 17:00 horas, na Livraria Ferin, na Rua Nova do Almada, n.º 70, Lisboa.
A obra, que têm a chancela da Âncora Editora, será apresentada, na versão em português, pela Dr.ª Teresa Martins Marques, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e, em mirandês, pelo juiz desembargador Luís Vaz das Neves, presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.
Amadeu Ferreira, nascido em 1950, natural de Sendim, concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, é vice-presidente da CMVM, professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e presidente da Associaçon de Lhéngua Mirandesa (ALM).
O autor e investigador de mirandês publicou várias obras naquela língua, de que se destaca a tradução Ls Lusíadas, cuja sessão de apresentação ocorreu a 17 de Setembro do ano passado, precisamente no Dia da Língua Mirandesa, tal como este ano vão ser dados a conhecer ao público os dois livros acima citados.
Na Âncora Editora, Amadeu Ferreira publicou ainda, em co-autoria com o artista e desenhador José Ruy, os livros em banda desenhada Ls Lusíadas – Banda Zenhada, Mirandês – História de uma Língua e de um Povo e Mirandés – Stória dua Lhéngua i dun Pobo.
Da sua obra literária constam também vários livros de poesia, contos, literatura infantil, bem como traduções de obras estrangeiras, nomeadamente de poetas da época clássica, como Horácio e Catulo.
No romance Tempo de Fogo / La Bouba de La Tenerie, um frade homossexual é queimado às ordens do Tribunal da Inquisição, condenado por breves amores de juventude na universitária Salamanca dos fins do século XVI. Através de personagens reais, perseguidos pela Inquisição, é passado em revista o ambiente sufocante do país nos anos vinte do século XVII, tomando como paradigma várias vilas e aldeias do planalto mirandês. A língua aparece como um modo de curar, mas também como castigo, quase uma maldição, pressentindo-se as dificuldades no confronto das línguas presentes: o português, o castelhano e o leonês/mirandês.
De modo sereno e inovador, são abordadas questões que sempre preocuparam o homem, como o amor e o sexo, o bem e o mal, a liberdade, a religião, o viver em comunidade, através de uma época de fundamentalismos, de que ainda não nos livrámos e que não podemos esquecer.
Lembramos que no próximo sábado, dia 17 de Setembro, uma parte da nossa edição será dedicada à língua mirandesa.


