Delors “indignado ” pelas divisões na UE perante a crise; Les Echos, 17 de Setembro de 2011. Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Senti-me indignado face à especulação, fiz publicamente um apelo às autoridades  europeias que parem com esta cavalgada para o abismo. Hoje, Jacques Delors, com uma declaração sobre a reunião dos ministros  europeus das Finanças não só se mostra indignado, mostra-se igualmente, afirma ele, de luto também : “Je porte le deuil aujourd’hui et je suis indigné”

 

Júlio Marques Mota

  

Delors “indignado ” pelas divisões na UE perante a crise

 

O ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors mostrou-se “indignado” este  sábado quanto ás divisões na União Europeia face às medidas que deveriam tomar  para enfrentar  a crise financeira, no momento em que terminava  uma reunião dos ministros europeus das Finanças em  Wroclaw (Polónia).

“Ontem à noite, os  17 (ministros das Finanças reunidos na Polónia, -nota da redacção – enquanto que a especulação aí está , que a incerteza está por toda a parte – não foram capazes de se porem de  acordo ” sobre a aplicação de uma taxa sobre as transacções financeiras “e deixaram  a sua  decisão para meados de Outubro”, afirmou Delors na  RTL.

“Isto quer dizer que estes 17  ministros que estão dentro de um navio no meio de uma enorme tempestade passaram o tempo a discutir com pequenas contas (…) . É  uma vergonha! “, disse o antigo responsável socialista.

 

Sinto-me de luto, sinto-me indignado (…) O que eles fizeram ontem foi um golpe terrível para todos os que desde 1948  estão ligados a  uma visão da Europa em paz e a uma Europa próspera”, disse ainda  o antigo presidente  do executivo europeu.


A aplicação desta  taxa enfrenta  a oposição nomeadamente da Grã-Bretanha, enquanto que a França e a Alemanha lhe são favoráveis.

 

Sobre a Grécia, a reunião de Wroclaw não permitiu que se  avançasse  nada  sobre a concretização do segundo plano de ajuda de cerca de 160 mil milhões de euros prometidos ao país, com este a não ter nenhum apoio financeiro  nem a conta-gotas e a ficar  sob a ameaça de uma situação de incumprimento. O processo bloqueia por diversas razões entre as quais a exigência da Finlândia de garantias financeiras para aprovar a concessão de  novos empréstimos

 

Les Echos, Delors “indigné” par les divisions au sein de l’UE face à la crise, 17 de Setembro de 2011

 

 

 

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