No Expresso de sábado passado, dia 17 de Setembro, no caderno dedicado à Economia vem um texto da Professora Manuela Silva que nos informa que, no próximo dia 30, a rede Economia com futuro promove, na Gulbenkian, uma conferência pública sob o tema Economia portuguesa: uma economia com futuro!
A professora Manuela Silva salienta que a obsessão existente com os desequilíbrios financeiros e com a inevitabilidade das medidas de austeridade impostas pelos credores esconde e distrai os responsáveis pela decisão política e a própria sociedade civil de questões tão essenciais como saber para onde vai a economia portuguesa:… Mais adiante assinala que certas correntes de pensamento empenham-se em fazer crer que não existem alternativas credíveis, confiando no pressuposto, meramente ideológico, de que o mercado e a concorrência encontrarão o rumo certo da prosperidade económica e fazem dela uma promessa de futuro. E salienta ainda a importância do debate público de ideias e de fazer regressar ao conhecimento da ciência económica os referenciais da ética e os contributos de outras ciências sociais.
Esta questão é fulcral. Em Portugal, e parece que noutros países também, encara-se a situação numa perspectiva estritamente financeira. Utiliza-se apenas a folha de cálculo, o que talvez facilite o trabalho de alguns, mas afasta muitos do mundo do trabalho, com a recessão resultante. Mantém-se é a falácia de que se tem de poupar os mais abastados, os donos da maior fatia de riqueza, por que se quer fazer crer que deles é que virá a recuperação económica. Assim não se tributam, nem sequer se regulamentam as transacções financeiras. E a seguir espantam-se porque os dinheiros (as poupanças de que falava Borges de Macedo) vão para a especulação e não para a economia. Fala-se em confiança, quando se deveria falar em ganância.

