Os símbolos da Revolta – por Carlos Loures

 A Internacional é o hino da Revolta!

 

A bandeira que se exibe no logótipo desta rubrica é uma bandeira vermelha. Nela e na sua génese hei-de falar. Hoje falarei apenas da canção que se transformou num símbolo indissociável da Revolução. Eu diria das Revoluções. Entre nós, e não só, há a tendência de considerar A Internacional um cântico comunista. Veremos que não. Antes de mais, vejamos como surgiu.

 

Ao contrário do que muitas vezes acontece, a letra foi criada primeiro, escrita em francês no ano de 1871 por Eugène Pottier (1816-1887), operário anarquista, um dos membros da Comuna de Paris. Após o sangrento esmagamento da Comuna, em cuja defesa participou, Pottier partiu para o exílio durante o qual escreveria diversos poemas, entre os quais o que viria a constituir a letra de A Internacional . A intenção de Pottier era a de que o poema fosse cantado com a música da Marselhesa.

 

Porém, em 1888, Pierre De Geyter (1848–1932) musicou o poema. Foi no dia 18 de Junho de 1888. A De Geyter, operário anarquista de origem belga fixado com a sua família na cidade francesa de Lille, foi oferecido nesse dia um livro de poemas de Eugéne Pottier. Impressionado com a pujança das palavras, terá composto a música de um jacto. Mas só a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado nesse ano em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se espalhou por França e pela Europa através dos delegados estrangeiros presentes.

 

O autor da versão portuguesa da sua letra foi o anarco-sindicalista Neno Vasco que no ano de 1909 traduziu o poema de Pottier do francês para o português. Aacompanha de perto o original francês, reflectindo no seu fraseado a influência da literatura e poesia ligadas ao anarco-sindicalismo, maioritário no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado. Neno Vasco (1878 – 1923) foi um poeta, advogado, jornalista e escritor, ardoroso militante anarco-sindicalista nascido em Portugal. Emigrou para o Brasil onde estabeleceu uma série de projectos com os anarquistas daquele país. Como se pode verificar, A Internacional, não é de raiz comunista.

 

Quer a versão comunista quer a socialista alteraram alguns dos versos de Neno Vasco. Mas isso é natural e pouco importante. Instrumento político, não faria sentido que contrariasse aspectos fundamentais do comunismo ou da social-democracia. Que a reivindique quem entender – é o hino da Revolução. Vamos ouvir a versão do PCP. Dizem-me haver uma interpretada pela orquestra e pelos coros do Teatro Nacional de São Carlos, mas não a encontrei disponível. Aliás, as tais diferenças na letra não retiram a força deste hino que é o de todos os que querem transformar o mundo num lugar mais digno. Ouçamos A Internacional:

 

 

 

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