Diário de Bordo – 24 de Setembro de 2011


 

 

Terá chegado o liberalismo totalitário?

 

 

A crise económica e financeira em que nos debatemos, e cujo fim não se vislumbra, põe evidentemente muitas interrogações. As litanias no sentido de as responsabilidades  terem de ser repartidas por todos foram repetidas vezes sem conto, e resultaram numa situação em que o que acontece é que essas responsabilidades estão a ser suportadas por quem tem menos poder decisório. Isto é: quem tem menos responsabilidades está a arcar com mais custos. Melhor dito: está a arcar com a maior parte dos custos.

 

Já se falou algumas vezes na necessidade de apurar como surgiu a dívida externa portuguesa, de fazer o historial de como chegou ao presente estado, e quem foram os responsáveis. Um estudo do assunto, tecnicamente, não deve ser muito complicado de fazer. Tem, claro, de ser feito de modo isento e independente. Trará, sem dúvida, à luz do dia outros problemas. E permitiria ao grande público ter um conhecimento mais exacto da realidade. O impedimento vem das resistências de certos sectores. O caso do BPN é apenas um exemplo.

 

E outras questões existem. Qual a necessidade de, na presente situação, se manter as bolsas em funcionamento? Porque não se impõe um limite às taxas de juro? Parece que estas na Grécia, nalguns casos, já atingem os cinquenta por cento. Sabendo-se que os grandes credores não são muitos, quem nos impede de pensar que não há uma concertação no sentido de maximizarem os seus lucros? A estas questões deve dar-se uma resposta clara. Levantá-las, e insistir no seu esclarecimento, na transparência deste assunto, e de outros semelhantes, é um acto de civismo, com toda a justificação. Não se pode permitir que o neo-liberalismo, ideologia que hoje domina a acção dos Estados, as abafe. Ou estaremos perante o contra-senso de um liberalismo totalitário?

Leave a Reply