Meu primeiro amor II
Felizmente que havia raparigas que diziam logo que sim, mas havia outras, terríveis, que sorriam angelicamente para nos aterrorizarem: “se vier convidar-me em primeiro lugar”. Era desafio que não se podia perder, e que norrnalmenre era compensado por um olhar tímido, um bilhete secreto, um encontro furtivo que significava uma marca inesquecível de um amor ou paixão, profundamente sinceros e ingénuos.
E depois surgiam os inesquecíveis sambas brasiJeiros
Você passa por mim e não olha
Como coisa que fosse ninguém
Com certeza você se esqueceu
Que em meus braços já chorou também
Eu não ligo porém a seu modo
Isso é próprio de quem é infeliz
Quer mostrar que não sente saudades
De um passado que foi não feliz
A malta gozava e dizia que estas canções eram tudo “larnientos de cabrones”, mas eram as tais que eles e elas gostavam de dançar. E eram as que afligiam mais o arame farpado, senhoras que só ficavam felicíssimas quando nos viam a dançar o vira ou um corridinho do Algarve.
Se eu quisesse eu podia contar
Tudo, tudo que houve entre nós
Mas pr!a quê destruir seu orgulho
Se eu até já esqueci sua voz?
De uma coisa eu tenho a certeza
Foi a vida que me confirmou
Seus melhores momentos na vida
Nos meus braços você desfrutou
Claro que de vez em quando havia escândalo: uma bofetada num atrevido (ou pouco hábil, o que era pior), cenas de ciúmes, ameaças de proteccores de ingénuas donzelas, pancadaria entre rivais do mesmo ofício, bebedeiras horríveis por mal de amor, enfim, as tragédias habituais de toda a literatura mais as que se criavam no saudoso tempo do fascismo.
