(Conclusão)
Os hospitais são igualmente referidos
Em FRANÇA, os hospitais, cuja situação financeira é complicada, recorreram maciçamente – em cerca de 3,7 mil milhões de euros – aos empréstimos estruturados junto do banco Dexia. De acordo com um documento confidencial, 313 estabelecimentos hospitalares , dos qual 290 hospitais, contraíram empréstimos de cerca de 1,2 mil milhões de euros sob a forma de créditos “dinâmicos” ligados à evolução de divisas estrangeiras.
O centro hospitalar de Ajaccio, acumulava, no final de 2009, 22 milhões de euros de créditos estruturados junto de Dexia e deveria pagar 6,8 milhões de euros se quisesse desfazer-se deste tipo de empréstimo . Em Março, este estabelecimento apresentou um procedimento cautelar o contra Dexia, rapidamente retirado a pedido do Ministério da Saúde para tentar uma mediação… “O assunto é tão sensível” que o seu director não deseja responder ao jornalista do Le Monde.
Em Lyon, os Hospícios Civis contavam, no final de 2009, 195 milhões de euros de dívida de grande risco, com um custo de saída de 22 milhões; o Centro Inter-hospitalar de Juvisy (Essonne), 13 milhões de euros apenas, mas com um custo de saída eventual de 5,6 milhões, ou seja 43% da dívida… Em Dijon, as finanças do Centro hospitalar universitário, na mesma data, estavam afundados numa dívida, contratada junto de Dexia, de 116 milhões de euros de empréstimos estruturados, com um custo de saída de 31 milhões (27%), enquanto o Centro hospitalar de Marselha suportava uma dívida de risco no montante de 122 milhões de euros, com um custo de liquidação negativo de 27 milhões.
- A. Mi. e I.R.-L.
O conselho geral de Seine-Saint-Denis decidiu levar à Justiça a partir de quarta-feira 9 de Fevereiro três bancos com os quais contraiu empréstimos ditos tóxicos, anunciou o seu presidente Claude Bartolone (PS), que pretende anular estes tipos de contratos.
“Há o tempo da diplomacia, e aí tudo tentei , e há o tempo de guerra”, indica Claude Bartolone, igualmente deputado. “Hoje, um oficial de diligências vai acusar Depfa, amanhã, será a vez de Calyon e, depois, será a vez de Dexia” para um problema com cinco contratos, prossegue, afirmando ser o primeiro eleito a fazer tal diligência.
Tem por objectivo fazer “anular os contratos “ passados entre estes bancos e o conselho geral, de 1997 até à sua eleição em 2008, quando o departamento era presidido por comunistas.
952,7 MILHÕES de EUROS de DÍVIDA PARA SEINE-SAINT-DENIS
A 1 de Janeiro, a dívida de Seine-Saint-Denis ascendia a 952,7 milhões de euros, dos quais 71,7% de empréstimos estruturados, ditos tóxicos. Uma percentagem em baixa, de acordo com Claude Bartolone, dado que ascendia a 92,96% em 2008. O departamento Seine-Saint-Denis subscreveu 63 empréstimos tóxicos.
“Somos os campeões no que se refere à percentagem de produtos tóxicos, ainda que se dê conta que estes empréstimos tóxicos existem por toda a parte “, lamentou o presidente do conselho geral.
Produtos financeiros tóxicos foram vendidos à numerosas autarquias locais. Estes têm as taxas ligadas a índices altamente voláteis, que podem provocar fortes aumentos das taxas de juro pagas pelas colectividades. O custo adicional para Seine-Saint-Denis deveria ser em média de 23 para 28 milhões de euros por ano até em 2036, afirma Bartolone.
Uma TAXA DE JURO QUE PASSA DE 1,47% PARA 24,20%
“Os bancos não satisfizeram a obrigação de terem que avisar contra os perigos existentes quando se trata de estar no domínio das operações especulativas “, considerou. “Tenho um empréstimo de 10 milhões de euros com o banco de origem irlandesa e alemã Depfa, pelo qual a taxa de juro é calculada em função da paridade euro/franco suíço “, explicou o eleito.
“A taxa inicial, durante três anos, era de 1,47% e a taxa actual é de 24,20%, o que representa um custo adicional de 1,5 milhão de euros por ano, seja quase o custo de um infantário “, prosseguiu. Numa entrevista ao Parisien-Aujourd’ hui en France , o eleito, que considera que os bancos o “trataram com o maior desprezo “, pede à justiça que obrigue a transferir o montante de juros ilegítimos que o departamento pagou.
Além disso, o grupo socialista da Assembleia nacional anunciou a 1 de Fevereiro ter formado um grupo de trabalho para criar uma estrutura encarregada de gerir e de proteger os empréstimos tóxicos subscritos pelas autarquias locais. Será animado por Claude Bartolone.
