Um café na Internet

foste no meu ventre palavra, poema no meu regaço
espera paciente e serena, abrigo do meu cansaço
foste a voz do meu silêncio, força cravo rosa e laço
foste madrugada tardia, noite e dia num abraço
foste tear, foste teia, ameia do meu espaço
noite de lua cheia, muro muralha de aço
forjei-te com a consistência da rocha e o brilho do luar
escrevi-te eira, terra, semente de poeta a acordar
chamei-te murmúrio, gemido, vertigem de desejo selado
escondi-te veio de nascente num escafandro prateado
vesti-te de beijos silvestres, bordei-te em searas de alento
cor de vida colorida, gota do meu pensamento
ouvi-te grito de entranhas fazendo eco no tempo
vi-te visão de alma amputada, paz de asa quebrada
sangue urina seiva coagulada, corpo inerte na estrada


Fantástico, arrebatador, muito acima do que tenho lido, embora todos eles bons. Porque te calas tanto?… Parabens Maria InêsAdriano
Subscrevo, Maria Inês. Porque te calas tanto? (Na poesia…)
Doce e poderosa, Inês, a Palavra do teu ventre.
Mãe e criadora das palavras das entranhas.Mulher da palavra afirmativaSempre ela, a Maria InêsAdriano
Inês, ia pedir o teu poema de volta e já não fui a tempo:)) Belo, sim.
A todos o meu genuíno obrigada!.Escrevo para sublimar esta raiva que me dilacera as entranhas atormentando o meu EU pois o mundoque eu um dia sonhei é o sonho que levarei a enterrar num dia de ventos agrestes