OS HOMENS DO REI – 31 – por José Brandão

Garcia de Resende (1470? -1536)

 

Poeta, cronista, músico, desenhador e arquitecto humanista, Garcia de Resende nasceu provavelmente em 1470,

em Évora. Filho de Francisco de Resende e de Beatriz Bota, criados do Bispo de Évora, D. Garcia de Meneses. Depois da morte de seu pai, como ainda era jovem, foi acolhido por um dos seus tios, que provavelmente terá sido Dr. Rui Boto, desembargador do paço que gozava de grande prestígio na época.

 

Soube, também, conquistar a difícil estima deste monarca. Ainda durante o reinado deste monarca, em 1490, foi escolhido para acompanhar o seu filho, o príncipe D. Afonso que passava a ter casa própria. Mas após a sua morte, em 1491, volta aos serviços de D. João II. D. João nunca pode dispensá-lo, acabando por ser seu amigo e confidente.

 

Sendo a sua função moço de escrivaninha, Garcia de Resende, naturalmente, seguia tudo quanto D. João escrevia e tomava conhecimento dos mais secretos negócios do estado. Desta forma, explica-se a confiança do soberano, que se transformou na maior intimidade. Acompanhou-o em todos os momentos de solidão e melancolia, distraindo-o com os seus cantares à guitarra.

 

Continuou a desempenhar importantes funções na corte depois da subida ao trono de D. Manuel I em 1495, do qual mereceu, também, afecto e confiança. Em 1498, acompanha, como secretário, o soberano e a sua esposa, D. Isabel a Castela e Aragão, quando os reis de Portugal foram jurados herdeiros dos Reis Católicos, em Toledo. Fez parte da faustosa embaixada enviada ao Papa Leão X, em 1514, como secretário-tesoureiro. Nesta viagem, Resende visita Roma e outras cidades italianas e toma contacto com o esplendor do Humanismo e do Renascimento. Recebe também o título de fidalgo da casa do rei.

 

Em 1515, é-lhe atribuída uma tença de 2000 reis e um ano depois é feito escrivão da fazenda do príncipe herdeiro, futuro D. João III. Através deste cargo recebeu grandes proveitos em especiarias da Índia.

 

Ainda chegou a servir D. João III, durante os primeiros 15 anos do seu reinado, que igualmente lhe concedeu grandes mercês. Garcia de Resende gozava de grande prestígio na corte.

 

Passou os últimos anos da sua vida nas suas terras em Évora.

 

Pela dedicação com que serviu os 3 reis provieram-lhe avultados bens, entre os quais grandes casas na cidade de Évora e propriedades agrícolas na região vizinha.

 

Apesar de ser uma pessoa forte, era uma figura espirituosa e insinuante, cuja convivência era desejada e procurada. Ao fazer um relato minucioso dos atributos físicos, das suas qualidades morais e da sua vida na corte, D. João é apresentado como o Príncipe Perfeito. Garcia de Resende faz o culto ao grande monarca, não só como governante mas também como homem, dotado de altos dons.

 

D. João II, segundo as palavras de Resende, é apresentado como sendo “justo e amigo da justiça”, “de ardido coração”, “grandíssimo esforço”, “prudência”, “altos pensamentos” e “desejos de cousas grandes”.

 

Como historiador, é reconhecido como cronista palaciano, despretensioso mas encantador

 

Faleceu em 3 de Fevereiro de 1536 no convento de Espinheiro, sendo sepultado na capela que mandara edificar na cerca desse mesmo convento em 1520.

 

A seguir: Diogo Ortis de Vilhegas (Calçadilha)

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