AS MINHAS MEMÓRIAS – 2 – SINDICATOS – por Raúl Iturra

 

 

Em Inglaterra a miséria e o desemprego produzidos pela industrialização acabaram por desencadear um movimento espontâneo de destruição das máquinas pelos operários, que ficou conhecido como LUDISMO. Bem sabemos o que é sindicato, como defini antes: Sindicato é uma agremiação fundada para a defesa comum dos interesses de seus aderentes. Os tipos mais comuns de sindicatos são os representantes de categorias profissionais, conhecidos como sindicatos laborais ou de trabalhadores, e de classes económicas, conhecidos como sindicatos patronais ou empresariais. O sindicalismo tem origem nas corporações de ofício na Europa medieval. No século XVIII, durante a revolução industrial na Inglaterra, os trabalhadores, oriundos das indústrias têxteis, doentes e desempregados juntavam-se nas sociedades de socorro mútuo.

 

Durante a revolução francesa surgiram ideias liberais, que estimulavam a aprovação de leis proibitivas à actividade sindical, a exemplo da Lei Chapelier que, em nome da liberdade dos Direitos do Homem, considerou ilegais as associações de trabalhadores e patrões. As organizações sindicais, contudo, reergueram-se clandestinamente no século XIX. No Reino Unido, em 1871, e na França, em 1884, foi reconhecida a legalidade dos sindicatos e associações. Com a Segunda Guerra Mundial, as ideias comunistas e socialistas predominaram nos movimentos sindicais espanhóis e italianos. (fonte: a obra de Eric Hosbawm, especialmente The Age of Revolution, Abacus, 1977. Há versão portuguesa europeia: A Era das Revoluções, Editora Bom Tempo, São Paulo, Brasil, as minhas pesquisas e o facto de ter sido, em tempos passados, proprietário industrial e rural) Nos Estados Unidos, o sindicalismo nasceu por volta de 1827 e, em 1886, foi constituída a Federação Americana do Trabalho (AFL), contrária à reforma ou mudança da sociedade. Defendia o sindicalismo de resultados e não se vinculava a correntes doutrinárias e políticas. Parece-me que a Grã-Bretanha ia em frente em todo tipo de Revolução, em organizar não apenas a produção, a mais-valia e o lucro, bem como na defesa dos trabalhadores.

 

É nesse Estado-Nação, que a família Marx desenvolve ideias sobre a propriedade, organiza a Primeira Reunião Internacional de trabalhadores ou AIT, de analiso em detalhe no meu livro de 2010: Marx, um devoto luterano, denominada também a Primeira Internacional: A Associação Internacional dos Trabalhadores, nascida formalmente em Londres, em Setembro de 1864, tinha como objectivo a luta pelo progresso e pela emancipação humana. Com a Internacional, fundada por iniciativa dos poucos que naquela época compreendiam a verdadeira natureza da questão social e a necessidade de subtrair os trabalhadores à direcção dos partidos burgueses, começou uma era nova. Os trabalhadores, que tinham sido sempre força bruta seguindo os outros, bem ou mal intencionados, surgiam como factor principal da história humana e, ao lutar pela própria emancipação, lutavam pelo progresso humano, pela fundação de uma civilização superior. A organização foi fundada por coincidência: Napoleão III, numa tentativa de agradar à classe operária francesa, permitiu que 200 representantes eleitos por ela fossem a Londres participar da Grande exposição de 1861.

 

Esses trabalhadores travaram contacto então com sindicalistas ingleses que vieram recepcioná-los. No ano seguinte houve um novo encontro, desta vez para manifestar apoio à causa da independência da Polónia. Mas desta vez, o convite aos trabalhadores franceses mencionava as dificuldades pelas quais os sindicalistas ingleses passavam: a cada tentativa de greve, os patrões ameaçavam importar mão-de-obra. Isto não seria possível se os trabalhadores dos diversos países coordenassem seus movimentos sindicais. Os sindicalistas franceses responderam rapidamente, e o encontro contou também com representantes da Alemanha, Itália e Suíça. Nascia assim a Associação Internacional dos Trabalhadores presidida por Kart Marx. No entanto, os britânicos tinham-se adiantado com a criação das actividades políticas socialistas e de cooperativismo. Robert Owen (14 de Maio de 1771 – 17 de Novembro de 1858) foi um reformista social galês, considerado um dos fundadores do socialismo e do cooperativismo. Filho de uma família de modestos artesãos. Após galgar diferentes degraus da produção, a partir do aprendizado, tornou-se, aos 30 anos, co-proprietário e director de importantes indústrias escocesas de fiação, em New Lanark.

 

Ali reduziu a jornada de trabalho para 10,5 horas diárias – um avanço para a época, já que a jornada de trabalho de um típico operário têxtil era de 14 a 16 horas diária. Preocupou-se ainda com a qualidade de vida dos seus empregados, construído casas para as famílias dos operários, o primeiro jardim-de-infância e a primeira cooperativa. Com sua experiência, Owen provou que: Um toque humanista motiva os trabalhadores. Na sua indústria os fios de algodão tiveram melhoria de qualidade resultando em lucros para seus sócios, isto potencialmente devido ao tratamento diferenciado dado a seus empregados. Em 1817 evolui da acção assistencial para a crítica frontal ao capitalismo, tentando convencer as autoridades inglesas, bem como estrangeiras, da necessidade de reformas no sector de produção. Essa nova postura atraiu para si a repulsa dos segmentos conservadores da sociedade da época e, por suas críticas, foi expulso da Inglaterra.

 

Fundou, nos Estados Unidos da América, a colónia socialista de New Harmony (Nova Harmonia) que funcionou nos primeiros anos mas finalizou sua experiência sem obter o êxito esperado. Regressando à Inglaterra, continuou na luta por seus ideais, até falecer aos 87 anos. Fontes: As citadas mais acima, além das inúmeras biografias da sua vida e textos em jornais: Gerald O’Hara. “Dead men’s embers” (Saturday Night Press Pubs., 2006), p75.: Harvey, Rowland Hill (1949) Robert Owen: Social Idealist, University of California Press; Welsh Biography Online; Robert Owen. Life of Owen by himself (London, 1857); Robert Dale Owen. Threading my Way, Twenty-seven Years of Autobiography(London: Trubner & Co., 1874) – R. D. Owen was the son of Robert Owen. E outros textos, que podem ser acedidos em

 http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Owen

 

 

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