AS MINHAS MEMÓRIAS – 3 -. SINDICATOS – por Raúl Iturra 2.-

 

2 – A minha experiencia pessoal

 

Os anos passam num pestanejar. Um dia somos bebés, mais em frente passamos, passo a passo a vida adulta, até esse dia final em que nada sabemos dos outros, enquanto os outros sabem muito de nós, lembram, comentam, rendem simpatia ou não. É a idade em que começamos aprender a sabedoria da vida, quer por estudos académicos, quer por debates sobre o que acontece na vida e nos interessa. A vida divide-se entre estudos, jogos, assuntos públicos que nos interessam e passa a vida política ou o interesse pelo que acontece na polis, palavra grega que define um estado, a Nação ou a cidade-estado, como era antigamente.

 

Foi em 1959 que o meu interesse pela interacção social, desabrochou, como a de vários outros da mesma geração, rapazes e raparigas, passando a polis a ser de interesse central. A Lei e o Direito, em mãos de governante, pretendia orientar as nossas vidas. Como Emmanuel Mounier (Grenoble, 12 de Abril de 1905 — Châtenay-Malabry, 22 de Março de 1950 filósofo francês, fundador da revista Esprit e raiz do personalismo.

 

As obras deste filósofo influenciaram a ideologia da “Democracia Cristã”. “Na sua obra O Personalismo, Mounier apresenta-nos, em plena elaboração e em plena vida, uma filosofia que escapa a todas as sistematizações, exactamente porque assente na pessoa que é livre e sempre imprevisível” (Joao Bénard da Costa, no prefácio da obra em português: Le Personnalisme, PUF, coll. Que Sais-je ?, n° 395, 1950.

 

O seu discípulo Jacques Maritain (18 de Novembro de 1882 em Paris – † 28 de Abril de 1973 em Toulouse) foi um filósofo francês de orientação católica (tomista). As obras deste filósofo influenciaram a ideologia da Democracia Cristã.

 

Escreveu mais de sessenta obras e é um dos pilares da renovação do pensamento tomista no século XX. Em 1970 pediu admissão na Ordem dos Pequenos Irmãos de Jesus (Petits Frères de Jésus) em Toulouse. Foi enterrado com sua esposa Raissa em Kolbsheim.

 

Espalhava como pensamento: a liberdade dos cidadãos tem um limite, definido pela lógica e pelos depositários da nossa soberania, os que sempre corriam ao poder, em bandos diferentes, os governantes, definiam ou esqueciam de referir. Esquecimento que causava greves, tumultos, rebelião, alçamento dos mais novos. Contava-me entre eles. Era novo e subversivo, como todos os da minha geração, rebelião que levara aos meus colegas a serem Ministros e Secretário de Estado, um deles Presidente da República, todos eles na permanente corrida pela justiça mouneriana, excepto vários de nós, que parece termos nascido socialistas desde o berço, para desgosto das nossas famílias. Anos prévios a abandonar o Chile para saber mais sobre a minha renhida procura da igualdade.

 

 Os verões, supostos para ser de descanso ou para estudar matérias não rendidas, esse afã à Babeuf da igualdade, embarcavam em comboios e autocarros, vestidos pobremente para não parecer mais do que o povo trabalhador, Roto Chileno ou Zé Povinho. Era um trabalho extra, especialmente após saber que os sindicatos industriais não tinham força para a rijas com o capital, e que nas áreas rurais não apenas o sindicato não estava legislado, nem como as pessoas, por trabalhar desde a infância, não sabiam ler nem escrever. O nosso objectivo era personalizar o povo, sem reparar que, resultado deste trabalho, implantara-se o socialismo marxista no Chile.

 

O trabalho era pesado, começando por conquistar a confiança entre os inquilinos, sofrer as perseguições dos proprietários e os desencontros entre nós: todos os cristãos tratavam-nos como se fosso-mos de tendência homossexual. Até reparar que éramos socialistas cristãos, sabíamos ganhar a confiança do povo e começaram a solicitar conselhos para ser como nós, os socialistas cristãos. Mais tarde materialistas históricos.

 

Colchagua era a província dos nossos desejos, de nossos objectivos de alfabetizar e organizar sindicatos rurais. Pernoutávamos no Colégio dos Maristas da Vila de Santa Cruz, com as salas convertidas em dormitórios e com duche de água fria. Colchagua era um sítio de muito valor. Fomos distribuídos por vários sítios para ensinar. Foi-me atribuída a aldeia de Nancagua ou sítio alagado de água em língua Mapudungun do clã Huilliche da Nação Mapuche, uma aldeia rural de inquilinos de propriedade da fazenda dos folcloristas De Ramón, Raúl e Maria Eugenia. Los de Ramón era um conjunto folclórico chileno de vasta trajectoria y amplia difusión tanto en Chile como en Latinoamérica conformado por el grupo familiar de Raúl de Ramón, su esposa María Eugenia y sus dos hijos Carlos Alberto y Raúl Eduardo, de gran importancia como difusores y embajadores de la música chilena como también de la música latinoamericana. Se dedicaron a la investigación del folclore chileno y latinoamericano interpretando sus canciones con los instrumentos típicos de cada país teniendo en sus presentaciones hasta más de sesenta instrumentos musicales distintos los cuales se iban intercambiando de acuerdo a cada país y su región. Dieron numerosos conciertos tanto en EEUU, México como en el resto de Latinoamérica.

 

 Los De Ramón, vestidos a rigor na fazenda da sua propriedade.

 

 

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