por Rui Oliveira
1. Na Fundação Calouste Gulbenkian continua o ciclo Outono Russo com diversos concertos seguramente interessantes.
No Grande Auditório, às 19h de Terça 11, Quarta 12 e Domingo 16 de Outubro, o Quarteto Borodin (Ruben Aharonian violino, Sergei Lomovsky violino, Igor Naidin viola e Vladimir Balshin violoncelo) prossegue a sua tarefa de “penetrar nesse universo de cumplicidades, frustrações, homenagens e mensagens cifradas” que são os quartetos para cordas de Chostakovitch, tocando :
A 11/10 os Quartetos para Cordas nº 4, op.83, nº 6, op.101 e nº 5, op.92
A 12/10 os Quartetos para Cordas nº 9, op.117, nº 7, op.108 e nº 8, op.110
A 16/10 os Quartetos para Cordas nº 10, op.118, nº 11, op.122 e nº 12, op.133
No Grande Auditório, às 21h de Quinta 13 e às 19h de Sexta 14 de Outubro inicia-se o ciclo do “fervor desesperado das últimas sinfonias de Tchaikovsky” cujo primeiro concerto pela Orquestra Gulbenkian dirigida por Lawrence Foster e acompanhada pela jovem violoncelista argentina Sol Gabetta executará um programa que compreende :
Glinka – Valsa fantasia
Chostakovitch – Concerto para Violoncelo e Orquestra nº 2, op.126
Tchaikovsky – Sinfonia nº 4, op.36
No mesmo Grande Auditório e também na Sexta 14 de Outubro, agora às 21h30, com entrada livre (!), Solistas da Orquestra Gulbenkian põem em contraste os polos deste Outono Russo tocando :
Chostakovitch – Trio com Piano nº 1, op.8
Tchaikovsky – Souvenir de Florence, op.70
2. No Grande Auditório do CCB (Centro Cultural de Belém), às 21h de Quarta, 12 de Outubro ouvir-se-á, num concerto de considerável expectativa, a Missa em Si menor, BWV 232 de Johann Sebastian Bach. Será executante a Académie Baroque Européenne d’Ambronay, um agrupamento coral que reune anualmente jovens músicos profissionais de mérito para explorar uma obra maior do repertório musical sob a orientação dum músico experiente ; este ano coube essa direcção ao conceituado maestro belga fundador do ensemble “La Petite Bande”, Sigiswald Kuijken. Assistiremos nesse dia a uma proposta interpretativa da Missa de Bach que inclui apenas uma voz por parte (dispensando o coro), na linha das teses do musicólogo Joshua Rifkin que S. Kuijken perfilha, afirmando que “Bach é, aqui, muito mais convincente tendo apenas um cantor solista…Esta obra tem peças de conjunto tão complicadas que não se enquadram na música coral”. O conjunto instrumental é também reduzido (o próprio Kuijken assume o primeiro violino como concertino) e há a particularidade do uso dum seu instrumento de estudo, o violoncelo da spalla. Ouviremos e faremos juizo !
3. No Foyer do Teatro Nacional de São Carlos tem lugar o 1º concerto do ciclo A Europa de Liszt na Segunda, 10 de Outubro às 18h (entrada livre) com o Coro do Teatro e a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção de Martin André.
Embora o programa não tenha ainda sido divulgado, julga-se incluir “Also sprach Zarathustra” (“Assim falou Zaratrusta”) de Richard Strauss, a primeira valsa “Mephisto“, de Liszt, e o monumental “Te Deum“, de Anton Bruckner. A soprano Dora Rodrigues, a meio-soprano Maria Luísa de Freitas, o tenor Mário João Alves e o barítono Luís Rodrigues são solistas na obra coral de Anton Bruckner, que conclui o programa.
4. Na Sexta, 14 de Outubro, às 21h30 no Grande Auditório da Culturgest o Vijay Iyer Trio (Vijay Iyer piano, Stephan Crump contrabaixo e Marcus Gilmore bateria) volta a Portugal para apresentar o seu último CD Historicity (2009), um dos mais aclamados álbuns de jazz da década e considerado o melhor do ano por, entre outros, os críticos de Jazz Time, Village Voice e Down Beat. Como diz o programa, “Vijay Iyer Trio é uma banda de vanguarda que actualiza o clássico trio de jazz, … (criando) uma nova e poderosa música firmemente ancorada no groove e na batida regular e ao mesmo tempo muito interactiva e com uma estrutura rítmica por vezes complexa”. Inflenciam-na tanto grandes pianistas de jazz como Thelonious Monk, Andrew Hill e Duke Ellington, quanto as sonoridades clássicas de compositores como Ligeti, Debussy e Bartók, ou ainda a vitalidade rítmica e a subtileza melódica da música indiana de que Iyer é herdeiro.
5. Inicia-se a temporada Met Opera Live in HD de transmissões em directo de produções da Metropolitan Opera de Nova Iorque com a projecção Sábado, 15 de Outubro às 18h da ópera de Gaetano Donizetti Anna Bolena. Numa realização de David McVicar e com direcção de Marco Armiliato, teremos no elenco Anna Netrebko como Anna Bolena, Elīna Carranča, Tamara Mumford, Stephen Costello e Ildar Abdrazakov como Henrique VIII.
Ouça-se Anna Netrebko interpretando a desditosa rainha levada à loucura pelo marido infiel.
Cordas sobresselentes para além das cinco do Pentacórdio
Outros eventos, em parte já em curso (como exposições ou filmes), justificam a menção de interesse neste Pentacórdio. Dividimo-los em áreas para facilidade de procura.
Na área do cinema
Destaca-se esta semana como acontecimento marcante (e a ver) a exibição do filme de João Canijo no circuito nacional Sangue do meu Sangue (2011), Prémio da Crítica Internacional no recente Festival de Cinema de San Sebastian. Com interpretação, entre outros, de Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Beatriz Batarda, Teresa Madruga, Nuno Lopes e Rafael Morais, é já referido por críticos como “um dos grandes filmes do último quarto de século … Que o público assim o saiba receber” (J.M., in Ípsilon).
Para João Canijo (‘Mal Nascida‘, ‘Fantasia Lusitana‘), este filme é sobre como “a tragédia da vida choca com o amor incondicional, um amor sem explicações, que não precisa de razões para existir” e tem a particularidade de, ao longo de dois anos de trabalho, a história, as personagens e as suas relações terem sido discutidas e definidas pelos próprios actores em coordenação com o realizador.
Ainda na 7ª arte, encerra esta semana a versão lisboeta da 12ª Festa do Cinema Francês. São múltiplas as estreias, com um predomínio interessante da comédia, mas (pelo passado do/as realizadore/as) aconselharíamos três de entre eles : Un Amour de Jeunesse (drama) de Mia Hansen-Løwe a 11/10 (19h30), Impardonnables (drama) de André Téchiné a 15/10 (19h30) e La Source des Femmes (comédia dramática) de Radu Mihaileanu a 16/10 (22h).
Seguem os respectivos trailers :
Não deve também esquecer-se a componente cinema de animação, com uma retrospectiva de Sylvain Chomet (nomeadamente o seu último L’Illusioniste de 2010, a exibir na Sexta 14/10, às 21h30) e filmes de Michel Ocelot, Feliciali & Gagnol e Sakaoglu e Meller.
L’Illusionniste from FCF on Vimeo.
A par do Festival há ainda concertos de novas figuras da cena musical francesa, com destaque para na Quarta 13 (19h) Sorel, autor e compositor, no Institut Français de Portugal e na Quinta 14 e Sexta 15 (22h30) o Chloé Cailleton Quartet no Onda Jazz.
Na área do teatro
Para os amadores das artes do palco, pode ser curioso observar no Teatro Maria Matos a obra de criadores emergentes portugueses “revelados” na temporada 2010-11 que vão circular pelos teatros municipais de Lisboa, Guimarães, Guarda, Torres Novas e Viseu.
Assim na Terça 11 e Quarta 12 de Outubro, às 21h30, Gonçalo Waddington estreia-se na encenação (onde é também actor) com uma das obras-primas do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, Rosmersholm (1886).
Já na Sexta 14 e Sábado 15 de Outubro, às 21h30, é a Sofia Dinger que cabe a criação (e a interpretação) de Nothing’s ever yours to keep.
Na área da música (dita) ligeira conclui-se o projecto Músicas Novas no São Luiz TM a 14 de Outubro a partir das 21h com o espectáculo Avenida Paulista onde surgem novas figuras da cena musical brasileira com algum renome como Tulipa Ruiz + Thiago Pethit + Mariana Aydar (na Sala Principal) ou Raf Vilar (no Jardim de Inverno). Os seus vídeos reveladores do potencial desta nova geração podem ver-se em :
http://www.uguru.net/pt/roster_eventos_avenidapaulista.html
Na área literária destaque-se, porque não o temos feito, o ciclo de conferências “A Poesia e a Liberdade” que a Biblioteca-Museu República e Resistência da Cidade Universitária tem vindo a promover. Nesta Segunda 10 de Outubro, às 18h, João Rui de Sousa falará sobre “António Ramos Rosa – o poeta da liberdade livre”.
Na área das artes plásticas
O Museu do Oriente inaugurou recentemente uma exposição que encerra a 30 de Outubro intitulada “Olhem para nós! A nova geração de jovens artistas chineses” que pretende, segundo o seu curador Shin-Yi Yang, responder a questões como “estarão a geração de jovens artistas chineses que vivem nesta sociedade em constante mudança bem como as suas criações artísticas preparadas para enfrentar as oportunidades e desafios? Será que a força interior que impulsiona o desenvolvimento social os encoraja a manter a tradição estética socialista ou, pelo contrário, inspira-os a criticar e repensar a estética tradicional?” Mas é discutível, segundo especialistas da arte chinesa actual, que, embora estes artistas vivam quase todos na China e com pouco contacto internacional, “a sua criação artística contenha uma mensagem política expressa”. Há aqui a oportunidade de conhecer a sua obra num ambiente de visibilidade internacional e identificá-los como Adou, Ke Chen, Lei Huang, Zhengyuan Lu, Qi Qin, Kang Shao, Yuanyuan Song, Xinwei Xiong, Xinguang Yang, Jingli Zhang e Qiang Zheng.
Por último, para contraste com a mostra de Vik Muniz (referida no último Pentacórdio e que a crítica maioritariamente classificou de “monotonia kitsch” e de “photoshop digno duma loja de souvenirs”), assinalamos a elogiada exposição Abstraction and Storytelling na Marz Galeria (em Alvalade), uma colectiva de 11 artistas estrangeiros (Julien Audebert, Karina Bisch, Nicolas Chardon, Marcelline Delbecq, Maria Loboda, entre outros) “que terão reagido ao peso da descendência minimal dominante em França na década de 90”, comissariada pela portuguesa Joana Neves que parte da reflexão entre abstracção e narrativa − “uma história de amor entre o ”white cube” e a ”black box””. Está aberta até 15 de Outubro.
Caríssimos e pacientes leitores do Pentacórdio, até para a semana.







