O Pato algemado – 6 – coordenação de Carlos Loures

O Pato algemado

 

 

 

HUMOR REAL selecção de Sérgio Madeira 

 

Não tem nada a ver com a Monarquia (Viva a República!).

 

Como sabem, real é um adjectivo com duas acepções diferentes e com etimologias também distintas – numa delas, o vocábulo vem do latim regale , régio, e tem a ver com os reis, aqueles tipos que usavam coroa e que aparecem nos baralhos de cartas (e nas revistas do coração); na outra acepção, vem do latim reale, e quer dizer que tem existência verdadeira, que não é imaginário ou fictício. É uma pérola de sabedoria, mas não têm nada que agradecer, deixem-se estar sentados.

 

 

 

Com “humor real” queremos dizer que hoje não vamos recorrer à imaginação e vamos apenas seleccionar factos reais (ver explicação acima), tirados da vida real (idem). Olhem só este requerimento que um cidadão da freguesia de Soalhães, concelho de Marco de Canavezes, faz ao Presidente do MUnicípio – é “realmente” interessante:

 

 

Vou seguir este caso com toda a atenção. À boa maneira do Perry Mason, se o amigo Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro obtiver o empréstimo do Audi, usarei o caso como precedente relevante e pedirei ao Professor Cavaco a cedência temporária do Palácio de Belém para, com dignidade e modéstia, realizar a final do campeonato de sueca do pessoal de São João das Lampas. Senhor Presidente, pode mesmo ser a Sala Dourada… ou a Galeria dos Retratos – a mesinha é jeitosa. Não somos esquisitos e, sobretudo, não queremos incomodar.

 

Segue-se uma viagem pela blogosfera até

Frases de Luís Vaz de CamõesFrases e Provérbios

 

www.fraseseproverbios.com/frases-de-luisvaz-de-camoes.php

 

 

 

 

 

 

Há coisas que  nos fazem rir, mas que são tristes – é o caso de um site brasileiro que anuncia frases de génios – Sobre Luís Vaz de Camões, diz

 

Conheça dezenas de frases de Luís Vaz de Camões, considerado como o maior poeta de língua portuguesa e um dos maiores da história da humanidade.

 

 

Muito bem. O pior é que das dezenas de frases Camões não escreveu nem uma, devendo o autor ser o imbecil *que organizou a lista de bacoradas que agora, por ignorantes e incautos, irão ser atribuídas ao pobre Luís Vaz. Que no século XVI já lia jornais, falava de layout e tecia considerações sobre a corrupção no Brasil. Mas não  usava bombacha nem gostava chimarrão… Ora leiam e, se conseguirem, riam-se (as frases estão todas assinadas – Luiz Vaz de Camões, não vá alguém atribuí-las a Afonso X, o Sábio…)

 

Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas.

A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.

 

A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer escrever claro não é certo mas é claro, certo?

Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores.

Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti, mas viver sem amor acho impossível.

Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

Nunca usei bombacha, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gos

No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.

Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.

As frases são muitas, mas não quisemos abusar da vossa paciência – as que aqui não estão são igualmente estúpidas. Podem ir ver. Anunciam frases de outros génios – Fernando Pessoa, Galileu, Gandhi… (Coitados!)

 

Sugerimos que acrescentem esta frase

 

Às vezes, a única coisa verdadeira num site é a falta de vergonha de quem o escreve.

(Luiz Vaz de Camões)

 

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* tentei outros termos para qualificar esta alimária, mas só me ocorriam termos incompatíveis com a seriedade e o decoro do «Pato algemado». Imbecil é um elogio. Sejamos realmente bondosos.

 

 

Frases lapidares de Américo Tomás

 

«Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados….» – in revista Opção, ano II, n.º30

 

«…É uma terra [Manteigas]bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude…» – in O Século, 1/6/1964

 

«A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.» – in Diário de Notícias, 23/6/1964

 

«O Sr.Prof. Oliveira Salazar, ao longo de mais de trinta anos, é uma vida inteiramente sacrificada em proveito do país, e
desconhecendo completamente todos os prazeres da vida, é um homem excepcional que não aparece, infelizmente, ao menos, uma vez em cada século, mas aparece raramente ao longo de todos os séculos.» – in Seara Nova, Maio 1965

 

«Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Exª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que,
mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que Portugal será eterno, como eterno é o sono da morte.»- in
Diário da Manhã, 14/9/1970

 

«Neste almoço ouvi vários discursos, que o Governador Civil intitulou de simples brindes. Peço desculpa, mas foram autênticos discursos.» – in Diário de Notícias, 14/9/1970

 

«Pedi desculpa ao Sr.Eng.º Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na
realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr.Eng.º Machado Vaz.»- in Seara Nova, Agosto 1972

 

– Retirado do livro “Frases que fizeram a História de Portugal” por Ferreira Fernandes e João Ferreira

 

E para terminar, uma discussão sobre futebol… ou sobre corrupção… uma coisa dessas:

 

 

 

 

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