Diário de Bordo, 10 de Outubro de 2011


 

Tem causado alarido a iniciativa dos palestinianos de pedirem a admissão nas Nações Unidas. O alarido deve-se sobretudo à oposição de Israel e dos EUA. Invocam que a independência da Palestina não pode ser declarada unilateralmente, tem de ser precedida de negociações. Com Israel, claro.

 

A votação no Conselho de Segurança decidirá sobre a pretensão apresentada por Mahmoud Abbas, em nome dos palestinianos. Claro que vai deparar com a oposição dos EUA. Abbas diz que quer negociações, e que o pedido de admissão na ONU não as obstaculiza.

 

Na realidade, se se reconhece o direito dos palestinianos a um estado independente, porque é que se há de vetar a sua admissão na ONU? Não há realmente qualquer incompatibilidade entre negociações e a presença da Palestina na Assembleia Geral da ONU. As negociações sobre fronteiras, segurança, regresso dos refugiados e outros temas podem perfeitamente continuar, após o reconhecimento formal da independência. Ao fim e ao cabo este problema arrasta-se há mais de meio século. Outros povos, em situações que pareciam à partida muito mais difíceis (Timor, Sul do Sudão), conseguiram em muito menos tempo o seu objectivo.

 

Mas será que Israel e os EUA querem realmente a Palestina independente? As objecções que levantam sistematicamente quando os palestinianos procuram melhorar as suas posições fazem crer que não. Israel ocupa a Palestina com o apoio norte-americano. Continua promover a instalação de colonos no território ocupado. Exige como condição prévia para reconhecer a Palestina que esta reconheça o Estado Judaico. Tal reconhecimento permitir-lhe-ia arrumar de vez o problema do retorno dos milhões de refugiados palestinianos, com o que Abbas não pode concordar de modo nenhum. Os norte-americanos por sua vez contam com Israel para manterem o seu predomínio no Médio Oriente, e sobre o petróleo que ali existe. A sua força militar torna-os um parceiro imprescindível  (isto vale para os EUA, à escala mundial, e para Israel, à escala regional).

 

Está muito complicado o futuro dos palestinianos. São realmente o maior problema da cena internacional. 

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