UM CAFÉ NA INTERNET – Pequeno Poema Mental, por Irene Lisboa

(1892 – 1958) 

Um Café na Internet

 

 

 

 

Cai um pássaro do ar, devagar, muito devagar.

E as árvores soturnas não se mexem.

Estio!

Não se vêem bulir as árvores, em bloco, ou aos arcos, estampadas…

Elegante Lapa! Sol fosco, paisagem de manhã.

A gente do sítio, pobreza e riqueza, ainda recolhida.

Aqui, uma janela discreta que se abre, preta, cega.

Ali outra fechada.

E esta alternância, bastante irregular, vai-se repetindo, repete-se…

E eu, ai eu! Prisioneira, sempre prisioneira; tão enfadada!

Obrigado a António Miranda, por ter sido no seu magnífico site, www.antoniomiranda.com.br, que encontrei este poema. Creio que Antonio Miranda ainda é Director da Biblioteca Nacional, de Brasília. Para ele, os nossos cumprimentos, assim como para os herdeiros de Irene Lisboa. Este poema terá saído na Revista de Portugal, em 1938, juntamente com outros Pequenos Poemas Mentais da autora.

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