Nota de abertura sobre Dexia
Mais um banco falido, mais um banco resgatado, mais um banco nacionalizado, mais uma vez quem trabalha que pague a factura . O texto é transparente: sobre 90 milhares de milhões de euros: “A Bélgica garantirá, por um período de 10 anos, o financiamento até 60,5% destes valores, o que corresponde a um montante máximo de 54 mil milhões de euros. As garantias de financiamento trazidas pelos Estados francês e luxemburguês atingem respectivamente 36,5 e 3%, ou seja uma forma de distribuição idêntica à que foi realizada no final de 2008 aquando de um primeiro resgate do grupo Dexia.”
Mas deixo à consideração dos visitantes, dos leitores de A Viagem dos Argonautas, um excerto de um texto da Bloomberg de hoje, dia 10 de Outubro, sobre o assunto. É de sentir arrepios:
Moody’s Review
Belgium’s Aa1 local- and foreign-currency ratings were placed under review for a downgrade by Moody’s Investors Service because of rising funding risks for euro-area nations with high levels of debt and additional bank support measures that are likely to be needed.
The review will focus on the vulnerabilities of Belgian public debt in the current euro-area sovereign crisis and potential costs and contingent liabilities that the government may incur in supporting Dexia, Moody’s said in a statement on Oct. 7. Moody’s will also assess how the risks for the growth outlook of the economy and the government’s fiscal and economic plans may impact the country’s debt trajectory.
Separately, KBC Groep NV, Belgium’s biggest bank and insurer by market value, agreed to sell its private banking unit to Qatari-backed Precision Capital for 1.05 billion euros to bolster capital. The sale, announced today, will increase KBC’s capital by about 700 million euros, the bank said.
Dexia Credit Local
For France, the challenge is to rescue a portion of Dexia’s operations without endangering its top credit ratings from Moody’s and S&P. It’s one of six countries in the euro-zone with a AAA rating.
A large chunk of the troubled assets are on the balance sheet of Dexia Credit Local, a French unit. Dexia Credit Local carries most of the bank’s 95 billion-euro bond portfolio, which includes 21 billion euros of Greek, Italian, Portuguese, Spanish and Irish sovereign debt. Dexia’s municipal lending units in Italy and Spain, which it agreed to dispose of to win European Commission approval for its 2008 bailout, are also on the French unit’s balance sheet.
“The fair distribution of the burden is a very sensitive and crucial element in the negotiations,” Leterme said on RTL radio on Oct. 6. “To save Dexia, we need a fair division of responsibility.”
Dexia said on Oct. 6 that an investor is interested in its profitable retail and private banking unit in Luxembourg. Belgian daily L’Echo reported that a Qatari sovereign wealth fund was in discussions to buy the unit, Dexia Banque Internationale aLuxembourg, for 900 million euros, without saying where it got the information.
‘ForcedSale’
That announcement set off concern that Dexia’s most valuable assets will be sold at fire-sale prices to international buyers in response to a temporary funding squeeze.
Groep Arco, Dexia’s second-biggest Belgian shareholder, said on Oct. 6 that it “opposes a forced sale of good units of the group at very low prices to foreign entities.”
Sem mais comentários.
Júlio Marques Mota
Dexia nacionalizada por 4 mil milhões
O Conselho de Administração aprova a compra.
O Estado retoma 100% de Dexia Banque Belgique por 4 mil milhões e vai garantir o financiamento “do BAD bank” até 60,5%.
O desmantelamento de Dexia, primeiro banco vítima da crise da dívida na Europa, tornou-se uma realidade na noite de domingo para segunda-feira depois de uma reunião do conselho de administração do banco e de um conselho de ministros belga consagrado a este processo sensível. Estas reuniões decisivas assinaram o desaparecimento do estabelecimento sob a sua forma actual, ratificando a cisão das suas actividades belgas (banco de retalho) e preparando a cedência do ramo francês (financiamento das autarquias locais).
A Bélgica vai assumir o controlo a 100% de Dexia Banque Blegique , a entidade belga do estabelecimento apresenta no banco de de retalho. O custo da transacção: 4 mil milhões de euros. A oferta de resgate do governo belga foi aprovada pelo conselho de administração de Dexia, que considerou que, “nas circunstâncias actuais”, era “o interesse social” do grupo Dexia e das suas sucursais aceitar a oferta.
Os termos : os depósitos dos clientes protegidos “a 200%”
“Nós tivemos êxito em conseguir atingir o objectivo principal que era proteger Dexia Banque Belgique e isolar os activos de risco”, declarou o Primeiro ministro demissionário, considerando que os depósitos dos clientes doravante estão protegidos “a 200%”.
Para além disso, Dexia vai pagar imediatamente aos Estados belga, francês e luxemburguês um prémio de 450 milhões de euros pela garantia oferecida, da qual 270 milhões de euros serão para a Bélgica. Portanto, o Estado federal vai pagar 3,730 mil milhões de euros em termos líquidos pelos 100% de Dexia Banque Belgique, explicou, pelo seu lado, o ministro das Finanças demissionário Didier Reynders, considerando que se trata “de um preço razoável”.
Reynders : « Nós permanecemos abaixo dos 100 % de endividamento »
“A vontade do governo não é a de permanecer indefinidamente no banco mas também não é a de sair imediatamente”, reconheceu Reynders. De acordo com o ministro das Finanças, a compra de Dexia Banque Belgique não deveria sobrecarregar a dívida pública belga moo máximo até ao limite de 1% do PIB, que deverá assim passar de de 97 para 98% do PIB. “Permanecemos debaixo dos 100% de dívida”, sublinhou.
A Bélgica garantirá 60,5% “do BAD bank”.
O banco residual de Dexia, a que chamam de “BAD bank”, uma estrutura de acantonamento dos produtos ditos tóxicos, abrigará então uma série de activos arriscados do grupo num total de cerca de 90 mil milhões de euros.
A Bélgica garantirá, por um período de 10 anos, o financiamento até 60,5% destes valores, o que corresponde a um montante máximo de 54 mil milhões de euros. As garantias de financiamento trazidas pelos Estados francês e luxemburguês atingem respectivamente 36,5 e 3%, ou seja uma forma de distribuição idêntica à que foi realizada no final de 2008 aquando de um primeiro resgate do grupo Dexia.
… seja menos que o resgate de 2008
“As garantias atribuídas hoje são mais baixas do que as garantias atribuídas em 2008”, sublinhou Leterme. Em 2008, a garantia atribuída pela Bélgica tinha atingido 90 mil milhões de euros.
Esta garantia “confirma os esforços importantes realizados pelos governos belga, francês e luxemburguês em prol da estabilidade financeira na zona euro”, indicou por seu lado o ministro das Finanças.
Por fim, Leterme indicou além disso que o governo dará “uma atenção específica aos accionistas” de Dexia. Assim, contactos serão tomados nomeadamente nas próximas horas com a Holding comunal, Arcopar, assim como com os três primeiros ministros-presidentes das três regiões.
A França vai criar um novo banco
O Estado francês deveria criar um novo banco dedicado às colectividades, detida ao mesmo tempo pelo Banque Postale e pela Caisse des dépôts (CDC), que se mostrava reticente.
Este último devia entrar no capital de Dexia Municipal Agency (Dexma), onde se encontra uma carteira de créditos às colectividades nos quais está uma pequena parte de empréstimos tóxicos e temia encaixar perdas no caso de eliminação ou anulação dos créditos tóxicos ou em caso de revisão à baixa do valor dos seus activosem carteira. Sobreeste ponto, nenhuma informação foi comunicada.
Retoma da cotação esta manhã ?
A alta autoridade dos mercados (FSMA), que tinha suspendido a cotação dos títulos na sexta-feira , ainda não decidiu sobre a retoma das cotações . Decidirá quanto à “ retoma da cotação de Dexia em função das iniciativas de comunicação a curto prazo que serão planificadas para esse efeito”.
Dexia anunciou a realização de uma conferência de imprensa, segunda-feira às 9h, na sua sede em Bruxelas , na presença de Jean-Luc Dehaene, presidente do conselho de administração, e do Presidente executivo Pierre Mariani.
(afp, belga)
