Boaventura de Sousa Santos: – “Não há democracia funcional”

Boaventura de Sousa Santos disse à SIC, no fim da passada semana, que o clima de « desobediência civil que o país vive faz prever uma nova Assembleia Constituinte». Não fala de uma revisão constitucional, mas sim de uma nova assembleia popular, uma vez que os actuais partidos políticos não dão resposta aos cidadãos, mas sim aos mercados.

 

«Eu acho que nós estamos a entrar num sistema, que os jovens estão a entender muito bem, que eu costumo chamar de totalitarismo gradual quer dizer os partidos não parecem ter nenhuma alternativa, não temos uma classe política que saiba pensar para além das receitas do Fundo Monetário Internacional, não tem soluções, está sempre a pensar nas reacções do mercado» (…)«Nessas condições não há democracia funcional. A democracia de facto não está a responder e eu penso que mais tarde ou mais cedo a desobediência civil vai caminhar para apelo para uma nova assembleia constituinte, popular. Não é uma revisão constitucional. É uma assembleia constituinte que blinde os Estado e a Europa dos actos predatórios dos mercados financeiros não regulados e que portanto reponha a vontade dos cidadãos no seu lugar e a vontade dos mercados no seu lugar. O que eles não podem é absorver o lugar dos cidadãos».

 

Falando das manifestações previstas para o passado  sábado em todo o mundo, desejou que fossem de natureza pacífica e que espelhassem a necessidade de mais democracia. «Espero bem que seja uma revolta pacífica. Todas as formas de manifestações que vemos são normalmente pacificas que mostram que as instituições democráticas que temos não são suficientes para responder às inquietações dos cidadãos porque os governos respondem mais aos mercados do que propriamente aos cidadãos, mas pedem mais democracia. Não estão a pedir comunismo, socialismo, não estão a atirar bombas. Pedem mais democracia, uma democracia real e verdadeira. É essa a desobediência que mais tarde ou mais cedo vai ter lugar».

 

Boaventura Sousa Santos disse ainda ter tido acesso a um relatório confidencial da CIA que revela que os EUA admitem a hipótese de uma «golpe militar» na Grécia. «É este ponto de gravidade que estamos a assistir». Boaventura Sousa Santos disse ainda que não acredita que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro e as medidas do FMI vão dar resultado, uma vez que em nenhum outro país deram e terminam sempre em «catástrofe e desobediência».

 

Ouçamos com atenção:

 

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