ALBERTO DE LACERDA – O POETA EXPATRIADO – por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

  

Retrato de Alberto de Lacerda por Arpad Szenes

 

 

O livro de Pedro Strecht, de que recentemente falámos, introduz-nos dois poetas, Alberto de Lacerda e Luís Amorim de Sousa. Pretendo aqui falar essencialmente do primeiro, pois o segundo ainda tem muitas cartas para jogar…

 

Alberto de Lacerda nasceu na ilha de Moçambique, em 1928. Aos 18 anos veio para Lisboa onde conviveu com os poetas Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cesariny, Raul de Carvalho, António Ramos Rosa e Luís Amaro. A partir de 1951 viveu em Londres onde trabalhou na BBC,  divulgando a cultura portuguesa e onde publicou o seu primeiro livro, 77 Poems (1955) e tendo convivido com muitos intelectuais, entre eles T. S. Eliot.

 

Em 1959 viveu um ano no Brasil, dando conferências e recitais em universidades e outras instituições. Foi só em 1961 que um livro seu saiu em Portugal: Palácio. Entre 1967 e 1993, deu aulas em universidades americanas. Durante esses vinte e seis anos, passava um semestre de cada lado do Atlântico. Foi amigo de Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, Menez, Júlio Pomar, Jorge Martins, Paula Rego.

 

Refere Pedro Strecht: “Adorava o “seu Mozart”, que tanto o ajudava “a fugir do horror do nunca mais”…Não constituiu família, nem viveu em permanência com mais ninguém Contudo, o seu círculo de amigos era imenso….Talvez lutasse sempre contra o facto de estar sozinho.. e o resultado foi uma vida muito preenchida, rica, criativa, de constante abertura ao outro e ao mundo…”

 

Luis Amorim de Sousa fala desta relação no seu livro “Às sete no Sa Tortuga”onde conta que Alberto com ele desabafava: “As pessoas já só querem é ver ecrãs… é a banalidade o que hoje mais atrai as pessoas…”

 

Publicou:  Exílio, 1963; Tauromagia, 1981;  Oferenda (que colige a poesia publicada entre 1951 e 1963), 1984,  Elegias de Londres ,1987, Meio-Dia,1988 (que ganhou o Prémio de Poesia do PEN Clube), Sonetos,1991; o segundo volume de Oferenda, (com poemas inéditos escritos entre 1963 e 1970), 1994; Átrio,1997 e Horizonte, 2001.

Alberto de Lacerda foi autor de colagens, tendo exposto várias vezes, a última das quais, quanto sei, na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, em 1987. Coleccionador de arte, parte do espólio foi mostrado ao público no Centro de Arte

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