PROGRAMAS DE CRIANÇAS E JOVENS EM RISCO da Fundação Calouste Gulbenkian – por Clara Castilho

 

 

Após concurso, em 2008, e durante três anos, foram implementados oito projectos de educação parental, nos distritos de Lisboa, Sintra e Setúbal, financiados pela Fundação Gulbenkian. Num deles tive o privilégio de poder participar.

 

No dia 19 de Outubro, os resultados finais foram apresentados numa Conferência, de entrada livre, que encheu várias salas da Fundação, com visionamento por vídeo-conferência e via internet.

 

A coordenação destes projectos coube a Daniel Sampaio que fez o resumo dos dados do conjunto dos oito projectos. Estiveram implicadas 8 organizações, foram abrangidas 899 famílias (correspondendo a 1063 cuidadores). Destes, 23% só tinham, em termos de instrução, o 1º ciclo e 57% encontravam-se não activos no mercado de trabalho, estando 23% a receber o Rendimento de Inserção Social, 26% com processos nas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e 75% das famílias eram constituídas de 3 a 5 elementos.

 

Foi realçado o trabalho de dinamização em rede e de parcerias na comunidade, o propósito de continuação deste tipo de trabalho por parte de seis das organizações (a sustentabilidade das actividades era um dos critérios do Programa) e uma maior compreensão quanto à forma de trabalhar das CPCJ. Foram objectivos do Programa, que se consideraram atingidos:

 

1 -Valorização e respeito pelo papel dos pais, contrariando a ideia de que são “maus pais”, correspondendo a uma mudança de olhar sobre as famílias; 2 – Criação de espaços de confiança formais e informais; 3 – compreensão da parentalidade como um processo; 4 – contribuição para a responsabilização dos pais, luta contra ao estigma e aumento do “empowerment”; 5 – contribuição para a autonomia das famílias para além dos projectos; 6 – estudo da rede social das famílias, combate ao isolamento e articulação com a rede social de uma forma integrada; 7 – maior visibilidade dos trabalhos com as famílias e luta por maiores apoios.

 

Face aos objectivos iniciais, considera-se que se ficou a compreender de uma forma mais abrangente como é que se poderá melhorar o trabalho com pais, como os capacitar mais, como capacitar as equipas que com eles trabalham e quais as melhores técnicas para com eles trabalhar.

 

O livro, para além da exposição do trabalho desenvolvido pelas oito organizações, contém também excelentes capítulos de revisão teórica, de autoria de Hugo Cruz e Maria João Leote de Carvalho. Para quem trabalha nesta área, um livro que se recomenda.

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