Trova do Vento Castrada – Maria Inês Aguiar

 

 

 

Maria Inês Aguiar  Trova do Vento Castrada

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

 

quero esmagar esta dor que de tanto doer me anoitece
parar nesta estrada que de tanto correr me enfraquece
adormecer esta raiva que de tanto digerir me endurece
quero vomitar a rosa da ternura que esmorece
rasgar o tempo do tempo de quem esquece
e
descerrarei as garras afiarei bem as palavras
serei porta aberta descoberta festa fresta
seta envenenada da natureza esventrada
dançarei letra a letra a trova do vento castrada
porque o vento não me responde e o vento nada me diz
e da trova reformada só lhe reconheço o país

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