UM CAFÉ NA INTERNET – AGORA SÓ, por Maria Alberta Meneres

 (1930 –  )

Um café na Internet

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora só por dentro o rosto acusa

o repentino espanto.

Projecto inadiado a fuga

ou o relâmpago.

Sento-me ao pé da tarde e penso:

há um minuto perto

onde se ergueram telhas e rebanhos.

 

Agora só por dentro o destemido

amado destemor do sangue

a reserva da caça

o uivo aberto

o peso da passagem pela erva

o calcanhar da pedra asperamente

forçando o movimento do retorno.

 

Agora só por dentro o selo      o nome

(colagem imperfeita)

rápida margem de um correr contínuo

e descontínuo ou tanto

às vezes rio      às vezes mar    às vezes

como se um precipício me ensinasse

o modo de cair.

 

 

 

Fui buscar este poema a O Robot Sensível, Plátano Editora, 1978. Os nossos agradecimentos à Maria Alberta Menéres e à editora. Pedimos que aceitem os nossos sinceros cumprimentos.

 

 

 

Leave a Reply