Augusta Clara Depende da perspectiva
Esta imagem devia ser a imagem do Ano ou mesmo da década.Trata-se da ligação entre um cirurgião e o seu paciente, neste caso, um bebé ainda por nascer… O bebé sofria de uma doença chamada Espinha Bífida e, caso fosse retirado do útero da mãe, morreria. Este cirurgião é dos únicos a terem a capacidade de operar feto, ainda no útero. A operação foi um sucesso e, quando o cirurgião se preparava para fechar a pequena incisão que tinha feito para alcançar o bebé, ele esticou a mão (já perfeitamente formada) e agarrou-lhe um dos dedos, como a agradecer pela “vida” que lhe tinha acabado de dar. Nas palavras do cirurgião: “foi o momento mais emocionante da minha vida”.
Não li a legenda e olhei para a imagem. Vi aquela minúscula mão e um arrepio percorreu-me a espinha.
À primeira vista pareceu-me um monstro, um ser das séries de cinema fantástico ou do sobrenatural, daquelas que criam personagens infantis endemoninhadas, capazes de todos os poderes maléficos dos adultos, ou seja, exercidos ao modo dos adultos, o que já por si as transforma em monstros: uma cabeça que não diz com o corpo.
E a história formou-se de imediato na minha mente, embora não lhe conhecesse o início: aquela mãozinha pretensamente inocente a arrastar com uma força demoníaca a pessoa cujo dedo apertava e a levá-la para junto de si dentro do útero aberto. A incisão fechar-se-ia como por encanto e a parturiente ficava com um bebé imaturo e um cirurgião dentro da barriga.
Se morria ou não, não sei. Já disse que não gosto destas histórias.
Mas, finalmente, li a legenda e o meu coração deu uma volta no peito. Deixei de ver monstros e demónios e cantei por dentro a canção da Violeta Parra “Gracias a la vida”.
Depende sempre da perspectiva com que se vêem os seres e as suas circunstâncias.



É este o problema da análise de imagens isoladas, até de frases retiradas de contexto…Boa escolha a de Violeta Parra já tão desconhecida.Agarremo-nos a estas imagens e canções. E> à amizade também, já agora…
Clara, confesso que é mentira que eu tenha sentido aquilo. Senti logo uma emoção tão grande que tive que lhe dar um escape com aquela brincadeira.