(1930 – 2004)
Um café na Internet
de cima do palanque
de cima da alta poltrona estofada
de cima da rampa
olhar de cima
LÍDERES, o povo
Não é paisagem
Nem mansa geografia
Para a voragem
Do vosso olho.
POVO.POLVO.
UM DIA.
O povo não é o rio
De mínimas águas
Sempre iguais.
Mais fundo, mais além
E por onde navegais
Uma nova canção
De um novo mundo.
E sem sorrir
Vos digo:
O povo não é
Esse pretenso ovo
Que fingis alisar.
Essa superfície
Que jamais castiga
Vossos dedos furtivos.
POVO. POLVO.
LÚCIDA VIGÍLIA.
UM DIA.
Da vasta produção poética de Hilda Hist salienta-se:
“Presságio”, livro de estreia (1950),
“Roteiro do Silêncio” (1959),
“Trovas de muito amor para um amado senhor”, com prefácio de Jorge de Sena (1960),
“Poemas malditos, gozosos e devotos” (1985),
“Bufólicas” (poesias satíricas, 1992)
e “Exercícios” (2002).


