O mirandês é uma língua ou um dialecto? (O mínimo sobre a língua mirandesa – 7), por Amadeu Ferreira

 

 

 

O MÍNIMO SOBRE A LÍNGUA MIRANDESA

 

 

     por Amadeu Ferreira

 

 

(continuação) 

 

 

7. O mirandês é uma língua ou um dialecto?

 

 

As palavras «língua» e «dialecto» nem sempre têm o mesmo significado para os diversos autores. Porém, é geralmente aceite que uma língua se distingue de um dialecto pelo seu reconhecimento político, o aconteceu com o mirandês através da lei 7/99, de 29 de Janeiro, aprovada pela Assembleia da República. Tal significa que a distinção é colocada em aspectos externos à própria língua, o que diz bem da manipulação política, e até ideológica, a que aquelas palavras estão sujeitas.

Uma língua existe sempre que estejamos perante um sistema linguístico gramaticalmente perfeito e com características distintivas próprias, o que é reconhecido ao mirandês desde que, nos fins do século XIX, foi estudado por José Leite de Vasconcellos.

O uso da língua, independentemente do nome e qualquer que ela seja, é um direito fundamental que radica na dignidade de cada uma das pessoas que a falam, bem como da comunidade que através dela se expressa e com ela se identifica. Esta é a questão essencial que muitos arautos dos direitos humanos ainda não perceberam entre nós, a começar pelos ‘papas’ do constitucionalismo e os certos militantes de uma língua portuguesa. Esta, estou em crer, será tanto maior quanto menos se quiser afirmar de modo colonialista sobre as línguas com quem ao longo da história foi entrando em contacto, e muitas foram. Os mirandeses são hoje bilingues e, a justo título, não ostentam menos orgulho na sua língua portuguesa pelo facto de também falarem o português.

  

  

 

     (continua – 8. Quais são as principais características da língua mirandesa?)

 

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