(1929 – 2004)
Um café na Internet
É do alto, é assim que as estátuas
desabotoam a camisa sob um céu impregnado
de tudo o que deu flor. Depois
encostam guirlandas ao seu busto de seda.
É do alto, é assim
à meia-noite,
rodeando o tempo sucessivo
rodeando a memória
disposta sobre o topo das redes.
Como finda o promontório deste século?
Quem cumpriu as tarefas? Serão redigíveis
na violência do ódio, da droga
na mensagem da guerra nuclear?
Escuto. E é único: as raízes
que me chegam daí: caminhadas
em discurso
o discurso nem sempre é imortal,
mas sepultá-lo é o fim
e nós
personagens somos
levemente
somos o fluir de todas as imagens
ligadas, legendas sobrepostas,
a luz que sobe dócil
Europa,
movo-me descalça, desfaço
a voz nos dedos. Esta hora
aparato sombrio da árvore de Natal
um perfume qualquer.
Festa literal, anunciando o Novo Ano
festa para consumir.
E, entre os reposteiros, como
em ataúdes
a grandeza da noite decaindo
Este hotel, este país, estes olhos, estes brindes, estas luzes, estes braços negros que nos servem, esta nota apressada na brochura do ‘Walt Disney World’, esta voz no Canal 4 da TV à meia-noite:
Get Money
Relax
Go to Florida
And stay there
all the rest of your life.


