Circula pela internet um volume de informação inimaginável. Entre muita informação útil e honesta, misturam-se textos apócrifos, falsa cultura, mentiras… Quando há dias recebemos um desses textos que todos os dias nos chegam em grande quantidade, logo o pusemos de parte, pois não podia ser – Dizia-se que o corte dos subsídios de Natal e de Férias não teria lugar para o pessoal da Assembleia da República!
Fomos ver ao Diário da República e encontrámos – I série, número 200, de Terça-feira, 18 de Outubro de 2011 e lá está:
Assembleia da República
Resolução da Assembleia da República n.º 131/2011
Orçamento da Assembleia da República para 2012 – Na página 4659 deparamos com a consignação de 2.093.650 € para pagamento de subsídios de férias e de Natal em 2012 ao pessoal da Assembleia da República.
Sabemos que dois milhões de euros a mais ou a menos, nesta selva de números gigantescos, pouco significam. Mas quantas excepções haverá ainda? Como se pode pedir sacrifícios a uns e dispensar outros de os fazer?
Salazar, rebelando-se contra os “importunos” que queriam melhorar o Ensino, decidiu que aos portugueses «bastava saber escrever, ler e contar», tornando obrigatórios apenas os três primeiros anos da então chamada Instrução Primária (designando este ciclo por Primeiro Grau). Esta gente que se içou até ao poleiro de São Bento à custa dos disparates dos que lá estavam, parece estar imbuída deste princípio salazarista. – Há um buraco no orçamento? Os milhares de milhões que faltam subtraem-se aos que trabalham, aos pensionistas, e fica tudo resolvido.
Para quê as complicadas elucubrações dos economistas, com gráficos e explicações que, para os não iniciados, são quase impenetráveis? A velha tabuada, uma simples subtracção no sítio certo e já está.
Salazar não teria feito melhor do que estes rapazes. Era desumano e mau, era tacanho e provinciano, um déspota asqueroso… mas, pelos vistos, não era suficientemente estúpido.

