Diário de bordo de 29 de Outubro de 2011

 

Circula pela internet um volume de informação inimaginável. Entre muita informação útil e honesta, misturam-se textos apócrifos, falsa cultura, mentiras… Quando há dias recebemos um desses textos que todos os dias nos chegam em grande quantidade, logo o pusemos de parte, pois não podia ser – Dizia-se que o corte dos subsídios de Natal e de Férias não teria lugar para o pessoal da Assembleia da República!

 

Fomos ver ao Diário da República e encontrámos – I série, número 200, de Terça-feira, 18 de Outubro de 2011 e lá está:

 

Assembleia da República

Resolução da Assembleia da República n.º 131/2011

 

Orçamento da Assembleia da República para 2012 – Na página 4659 deparamos com a consignação de 2.093.650 € para pagamento de subsídios de férias e de Natal em 2012 ao pessoal da Assembleia da República.

 

Sabemos que dois milhões de euros a mais ou a menos, nesta selva de números gigantescos, pouco significam. Mas quantas excepções haverá ainda? Como se pode pedir sacrifícios a uns e dispensar outros de os fazer?

 

Salazar, rebelando-se contra os “importunos” que queriam melhorar o Ensino, decidiu que aos portugueses «bastava saber escrever, ler e contar», tornando obrigatórios apenas os três primeiros anos da então chamada Instrução Primária (designando este ciclo por Primeiro Grau). Esta gente que  se içou até ao poleiro de São Bento à custa dos disparates dos que lá estavam, parece estar imbuída deste princípio salazarista. – Há um buraco no orçamento? Os milhares de milhões que faltam subtraem-se aos que trabalham, aos pensionistas, e fica tudo resolvido.

 

Para quê as complicadas elucubrações dos economistas, com gráficos e explicações que, para os não iniciados, são quase impenetráveis?  A velha tabuada, uma simples subtracção no sítio certo e já está.

 

Salazar não teria feito melhor do que estes rapazes. Era desumano e mau, era tacanho e provinciano, um déspota asqueroso… mas, pelos vistos, não era suficientemente estúpido.

 

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