Como se dá a transição do mirandês de língua exclusivamente oral a língua também escrita? (O mínimo sobre a língua mirandesa – 10), por Amadeu Ferreira

 

 

 

O MÍNIMO SOBRE A LÍNGUA MIRANDESA

 

 

     por Amadeu Ferreira

 

 

(continuação) 

 

 

10. Como se dá a transição do mirandês de língua exclusivamente oral a língua também escrita?

 

 

A língua mirandesa manteve-se como língua exclusivamente oral até 1884, ano em que José Leite de Vasconcelos publicou o poemário Flores Mirandesas, a primeira obra escrita em mirandês. No último quartel do século XIX vários autores mirandeses publicaram obras em mirandês, em particular traduções de autores clássicos e de «Os Quatro Evangelhos», com destaque para Bernardo Fernandes Monteiro, Manuel Sardinha e Francisco Meirinhos. A escrita seguida por José Leite de Vasconcelos era muito complexa, visando expressar toda a riqueza da oralidade, mas um sistema de escrita mais simples foi apresentado por Gonçalves Viana, depois seguido por vários autores. Daí em diante a escrita da língua mirandesa oscilou entre aquelas duas propostas, até que em 1999 é publicada a Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, cujo projecto esteve em discussão desde 1995.

 

A Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa foi elaborada, com o apoio de vários falantes, por estudiosos de mirandês e por linguistas dos Centros de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 2000 foi aprovada a Primeira Adenda à Convenção Ortográfica e está em discussão pública a Segunda Adenda.

 

A Convenção Ortográfica da Língua Miranesa, e as suas Adendas, veio permitir uma crescente harmonização da escrita da língua, hoje seguida pela esmagadora maioria dos autores que escrevem em mirandês e adoptada no ensino do mirandês nas escolas.

 

A discussão e investigação em torno da escrita da língua mirandesa ainda não se pode considerar concluída, nomeadamente porque a Convenção Ortográfica e as suas Adendas não abarcam todos os aspectos relativos à escrita da língua. A edição de manuais de ensino, de uma moderna e desenvolvida gramática do mirandês (já existe uma gramática publicada em 1900 por José Leite de Vasconcelos) e de um grande dicionário de língua mirandesa, são também materiais essenciais nesse percurso de normatização da língua.

 

   

     (continua – 11. Qual o actual estatuto jurídico da língua mirandesa?)

 

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