(Continuação)
Olhemos para o gráfico abaixo, o do lado esquerdo para termos uma ideia mesmo que só em síntese do que tem sido a China em termos de política cambial.
A política chinesa quanto á taxa de câmbio é aqui bem visível neste gráfico retirado de um artigo de Martin Wolf do Financial Times. Repare-se que até 2005 a taxa do yuan/dólar está fixa. Depois pelas pressões havidas, o governo chinês cede e deixa o yuan apreciar-se levemente. Mas entre 2005 e 2008 a taxa de câmbio evolui da mesma maneira contra o dólar e contra todas as outras moedas, praticamente como se estivéssemos num regime de Bretton Woods que se abandonou nos anos 70, a favor da desregulação de todos os mercados. A conclusão imediata: no mercado global os parceiros não têm as mesmas regras, os mesmos princípios, as mesmas leis, uns funcionam com políticas nacionais, a China, e outros com uma política caracterizada ela mesma por ausência deliberada de políticas. É aqui o caso, política cambial agressiva pela China, política cambial feita exclusivamente pelos outros, neste caso a Europa. A crise instala-se em 2008 e que vemos nós? A China fixa de novo a taxa yuan-dólar, o que se expressa pela linha a azul paralela à abcissa. Mais ainda, deixa variar a sua moeda contra as principais moedas e nestas está o euro que é assim sujeito a uma apreciação, sujeito a perder capacidade concorrencial a favor da China. Era a resposta da China à crise. Aliás, e volto a citar de memória , uma alta autoridade chinesa questionada creio que num G-20 afirmou que era tão válido os países ocidentais utilizarem as políticas orçamentais para resposta á crise como era válido à China utilizar a taxa de câmbio. Como é evidente, não é nada a mesma coisa, porque a taxa de câmbio é a transposição para os vizinhos dos efeitos da situação de crise enquanto que as políticas orçamentais expansionistas podem ser encaradas como a resposta em conjunto contra a crise e com efeitos benéficos para todos. O oposto, portanto, do que dizia o alto funcionário chinês. .
Vejamos um gráfico com a taxa de câmbio yuan/ euro para 2009:
que nos mostra a evolução da quantidade de yuans por euro, evolução esta que com a apreciação do euro /depreciação do yuan mostra como se complicou ainda mais a vida a esta Europa que procura ou deveria procurar desesperadamente um dirigente à altura dos grandes desafios que esta enfrenta. Este resultado está representado na descida da linha vermelha em 2009 no gráfico anterior a este.
Dizemos, tudo isto torna a vida mais complicada à zona Euro. Basta-nos olhar para um quadro de Eurostat, ao nível do emprego, onde se deve olhar para a taxa de desemprego dos jovens entre os 16-24 anos. Elucidativo o quadro, elucidativas estas últimas taxas :
Estas taxas de desemprego brutais, as políticas de protecção a tudo o que é mercado financeiro e a ignorância aos problemas que levanta o Shadow Banking que está já a atingir os níveis de 2007, as políticas de austeridade sistematicamente escolhidas e impostas por toda esta Europa, a caça aos impostos da classe média e dos trabalhadores de menores rendimentos, a ignorância intencional de tudo o que tem a ver com os paraísos fiscais, fazem-nos reenviar para um artigo do The Economist do princípio de Outubro com o título bem sugestivo, e passamos a citar:
“A menos que os políticos passem a agir com mais ousadia, a economia mundial vai manter a sua marcha a caminho de um buraco negro
A perda de convicção e de coragem
No rescaldo da crise do Lehman, os políticos em geral fizeram o que deviam ter feito. O resultado não foi um retorno rápido para a prosperidade no Ocidente, mas depois de uma recessão tão profunda que nunca deveria ter acontecido. Agora, mais frequentemente do que o seu contrário, os políticos parecem estar a fazer tudo de modo errado. Os seus erros variam, mas dentre destes dois grandes tipos se destacam. Um deles é uma ênfase avassaladora no curto prazo sobre a austeridade orçamental em vez do crescimento. Esta realidade poderia ser tratada de formas diferentes em lugares diferentes: a Alemanha poderia afrouxar austeridade da sua política fiscal, enquanto a Grã-Bretanha as rédeas deveriam ser bastante menos apertadas ou sê-lo de forma mais lenta. Mas a obsessão colectiva da austeridade a curto prazo em todo o mundo desenvolvido está a impedir a resposta para se sair da crise.
A segunda falha é uma questão de honestidade. Muitos políticos do mundo rico não conseguiram dizer aos eleitores a escala do problema que se estaria a enfrentar. Na Alemanha, onde a taxa de desemprego é menor do que em 2008, as pessoas tendem a pensar que a crise é acerca dos cerca dos preguiçosos gregos e italianos . Merkel precisava de explicar claramente que com esta crise estão também incluídos bancos e até os seus próprios bancos e que a Alemanha enfrenta uma escolha entre uma solução cara e uma solução ruinosa. Na América os republicanos são culpados de estarem a fazer uma obstrução escandalosa e uma simplificação enganadora da realidade , enquanto Obama tem favorecido os conflitos de classes à liderança orçamental. Num momento da história em que a Humanidade se defronta com enormes problemas, os nossos dirigentes políticos comportam-se como homens do mundo de Lilliput- Esta é a verdadeira razão para que se tenha medo ..”
(Continua)




