O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade – 25 – por Raúl Iturra

 

Eros também pode ser definido como a atracção para a perfeição ou integridade, e é usado para descrever a satisfação entre o homem/mulher e o homem/deus. Ideias que levaram Freud a escrever, em 1923, sobre os sentimentos de vida – Eros e morte – Tanatos. Esse texto transmite-nos, entre outras, a seguinte ideia: o ego procura inserir no inconsciente as influências do mundo exterior, para que o id ou o isto seja capaz de suportar os sofrimentos e abusos desse mesmo mundo, substituindo assim o princípio da realidade pelo do prazer, que reina de forma irrestrita no id da mente humana. Isto acontece porque as percepções do ego ou eu, arrasam a mente com a realidade e o id transforma-as em instinto. O Eu representa a razão e senso comum, ao contrário do id, que está preenchido de paixões.

 

O saber das crianças é um saber livre que passa por uma estrutura da mente que Freud soube descobrir ao longo de muitos anos de experiências e análises. Existe todo um aparelho de processos mentais que retém esse saber, como pode ser lido nos textos de 1920 e o já citado de 1923, O Ego e o Id , texto que define estes dois conceitos.

 

Contudo, para entender melhor o saber das crianças, é preciso definir Id com mais precisão. A teoria da personalidade de Freud, é importante para compreender esse processo de ensino – aprendizagem que tenho definido antes, permitindo explicar o que as crianças sabem e como aprendem. Donde, como diz a teoria psicanalítica da personalidade, o Id é a parte da personalidade organizada da energia psíquica inconsciente, que age para satisfazer desejos urgentes básicos do ser humano: as suas necessidades e os seus desejos. O Id trabalha na base do princípio do prazer, que procura a gratificação imediata das necessidades humanas. O texto original está escrito em Alemão da Áustria, traduzido para inglês no mesmo ano da sua publicação, a tradução para português foi efectuada por mim, para este texto.

 

Para ser mais depurado quanto ao inquérito sobre o saber das crianças citá-lo-ei, em nota de rodapé , no texto original inglês. No entanto, e no seguimento desta análise sobre o saber das crianças, torna-se necessário clarificar o conceito Id, não teoricamente, mas etimologicamente, ou seja, qual a origem da palavra que Freud usou para essa pequena parte do inconsciente que em nós manda. Para começar, id é uma palavra latina na terceira pessoa neutra, pronome demonstrativo em terceira pessoa: isto, para mostrar um facto sem mais referências, nomear o género do ser humano, que em inglês é “it”, em francês é “ça”, como tem sido traduzido no texto citado anteriormente, e em alemão é “es”. Para melhor entender recorro directamente à teoria de Freud, a partir da observação sobre certas doenças psíquicas, é levado a afirmar que o psiquismo humano não se limitava à zona consciente que se podia conhecer através da introspecção. Os desejos, pulsões, fantasias e mesmo pensamentos e comportamentos tinham origem numa zona não conhecida do psiquismo – o inconsciente.

 

NOTAS: A análise é parte de extractos dos textos de Freud, traduzidos para inglês, revistos pelo autor. Tenho feito uma tradução livre do inglês: “the ego seeks to bring the influence of the external world to bear upon the id and its tendencies, and endeavours to substitute the reality principle for the pleasure principle which reigns unrestrictedly in the id. For the ego, perception plays the part, which in the id falls to instinct. The ego represents what may be called reason and common sense, in contrast to the id, which contains the passions”. Página 450 do texto The Essentials of Psychoanalysis (Freud, S. 1986) Várias outras citações em: http://www.mdx.ac.uk/WWW/STUDY/xfre.htm#FREUD,S.1923/EGO. O texto original, em inglês, foi traduzido para francês e pode ser lido em: “Au-delà du principe du plaisir” (1920). Tradução francesa do analista Dr S. Jankélévitch, efectuada em 1920, revista por Freud no ano da tradução. Texte téléchargeable, assim como The Ego and the Id, traduzido como, “Le moi et le ça” (1923). Traduzido para francês pelo analista Dr S. Jankélévitch, em 1923, revisto por Freud no ano da tradução. Texte téléchargeable. Para Freud, o ego é o que apresenta o mundo exterior para o id (“Ego and the Id” 708). Por outras palavras, o ego representa e reforça o princípio da realidade – reality-principle, enquanto o id se importa apenas com o princípio do prazer (pleasure-principle). Enquanto o ego, orienta a mente para perceber o mundo do real, o id orienta os sentimentos para os (instincts) instintos internos; assim como o ego está associado com a razão e a sanidade mental, o id distrai a mente com paixões. Contudo, o ego nem sempre é capaz de distinguir completamente o eu – mesmo do id, pelo que, o ego é, de facto, uma parte do id (Freud nem sempre distingue o desenho da mente entre ego e o id). Poder-se-ia afirmar que o ego é uma defesa contra os ataques do superego e a sua habilidade de ser capaz de orientar o indivíduo para a inacção, ou o suicídio como resultado de uma mente culposa. Às vezes, Freud representa ou descreve o ego como uma orientação em permanente luta para defender os indivíduos de três perigos ou senhores da vida: da realidade do mundo externo, da libido do id e da severidade do superego (Ego and the Id, 1923, página 716, Obras Completas de Freud, já citadas). O texto está em inglês, mas fiz uma tradução. O original é transferido para a nota de rodapé seguinte. O texto original em alemão, diz na versão inglesa: “For Freud, the ego is “the representative of the outer world to the id” (“Ego and the Id” 1923). In other words, the ego represents and enforces the reality-principle whereas the id is concerned only with the pleasure-principle. Whereas the ego is oriented towards perceptions in the real world, the id is oriented towards internal instincts; whereas the ego is associated with reason and sanity, the id belongs to the passions. The ego, however, is never able fully to distinguish itself from the id, of which the ego is, in fact, a part, which is why in his pictorial representation of the mind Freud does not provide a hard separation between the ego and the id. The ego could also be said to be a defence against the superego and its ability to drive the individual subject towards inaction or suicide as a result of crippling guilt”. Freud sometimes represents the ego as continually struggling to defend itself from three dangers or masters: “from the external world, from the libido of the id, and from the severity of the super-ego” (Ego and the Id, 1923, página 716). Pode-se ler em: http://www.cla.purdue.edu/academic/engl/theory/psychoanalysis/definitions/ego.html. Texto em inglês, diz: “According to Freud’s psychoanalytic theory of personality, the id is the personality component made up of unconscious psychic energy that works to satisfy basic urges, needs, and desires. The id operates based on the pleasure principle, which demands immediate gratification of needs”. Pode ser lido em: http://psychology.about.com/od/iindex/g/def_id.htm.

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