UM CAFÉ NA INTERNET – OS MORTOS, por Renata Pallotini

 (1931 –   )

Um café na Internet


 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Os mortos estão deitados

mas os seus nomes tremulam sobre as campinas como flâmulas,

voam sobre as campinas a memória de suas faces

e a brancura de seus ossos perduráveis;

 

dizei, dizei dos mortos o que vos parecer,

eles estão deitados sob o limo com os olhos fechados,

com fibras e raízes onde estavam os olhos,

e com sumos e chuvas no lugar que era a boca;

 

Só a nossa lembrança os reúne e os congrega,

somos nós nossos mortos e estamos enterrados

e jazemos nós mesmos misturados às flores.

Dizei portanto as sentenças e os crimes,

já não podeis condenar-nos à morte.

Já pouco importa.

 

Porque estamos deitados,

vitoriosos e sós, imaculados, livres,

com as mãos cheias de terra e de silêncio.

 

 

A Renata Pallotini, poetisa paulista, dramaturga, ensaísta e tradutora, pedimos que receba os nossos mais respeitosos cumprimentos. 

 

Mais uma vez obrigado ao António Miranda, e ao seu magnífico site.

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