DIÁRIO DE BORDO, 7 de Novembro de 2011


 

 

Como estará a Grécia daqui a seis meses? As previsões não são nada boas, é o menos que se pode dizer. Parece que só se chegou a uma conclusão, que Papandreu está a mais no filme. Será realmente ele o vilão da fita? Por ter proposto um referendo sem pedir licença à Alemanha e á França? Até já se diz que foi uma jogada para poder deixar o lugar sem dar o ar de quem está a fugir. Leiam o que diz José Medeiros Ferreira no Correio da Manhã de sábado passado, 5 de Novembro. Entre outros aspectos, recorda que Angela Merkel fez anteceder a sua participação na cimeira do euro de um mandato imperativo do Bundestag. Por outro lado, chama a atenção para a vida política interna da Grécia, que é complicadíssima. E que Merkel e Sarkozy não encontrarão em Atenas melhor interlocutor que ele.

 

A solução para muita gente é a Grécia sair da zona euro e da UE, a mal se for preciso. O mais grave para nós, é que, dentro em breve, vão chegar á mesma conclusão sobre Portugal, embora os portugueses sejam bons alunos e bem comportados (é o que dizem Passos/Portas, e dentroem breve Passos/Portas/Seguro). A fraca economia portuguesa está a entrar numa recessão ainda maior, que vai ser ainda mais acelerada pelo espantoso orçamento que nos vai cairem cima. A emigração vai aumentar, porque é  preciso ir  procurar trabalho noutro lado. O secretário de Estado de não importa o quê, que foi  há dias a S. Paulo elogiar os emigrantes por terem tido a coragem de saírem do que ele chamou a sua “zona de conforto”, transmitiu apenas um vislumbre do modo como nas esferas governamentais se encara a maneira de viver dos portugueses. É assim: estão mal habituados. Não interessa que tenham o nível de vida mais baixo da UE, estão demasiado confortáveis. Há que empobrecê-los, e depressa, porque não há dinheiro para ordenados e, menos ainda, para benefícios sociais. São apenas um número. Excessivo, é melhor que se vão embora. Para o Brasil, para Angola. A Europa talvez ainda receba alguns. E, quando for preciso, mandam-se vir imigrantes, mesmo clandestinos, que são menos exigentes no que respeita a conforto. Talvez assim a Merkel e o Sarkozy (Merkozy) não queiram correr com a gente (a que ainda cá estiver) da UE. E haver uns lugares em Bruxelas para alguns de confiança. E as grandes famílias (os donos de Portugal) continuarem a viver tranquilamente. Confortavelmente.

 

Assumir que as decisões que vêm de cima são as principais responsáveis por este estado de coisas, isso nunca. E que desde os Descobrimentos os nossos mandantes nunca fizerem outra coisa senão espatifar dinheiro, e o povinho ter de fugir para tentar viver melhor, nem pensar. A propósito de ideias peregrinas para a governação, há pouco, na RTP Informação, um senhor dizia que um dia destes, cá no nosso país, tem de se voltar a pensar na energia nuclear. Isto a propósito de o Bangla Desh ir ter a sua central nuclear, com apoio (é como lhe chamam) dos russos. O senhor lá referiu que há países europeus que estão a desactivar as suas centrais. Mas por que será que ele quer uma em Portugal? Quem paga o investimento? E onde é que se irá pôr o plutónio? E quem zela pela segurança do empreendimento?

 

O mar está encapelado. O céu encoberto. A Argos tem mar bravo pela frente. Que estará para além do horizonte?

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