PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO – Praia das Lágrimas- por Álvaro José Ferreira

 

Ouça! Ouça!… Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da ‘playlist’ da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação (formalmente assumida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida ‘playlist’ está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos ‘ad nauseam’.

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado “serviço público de rádio” que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Praia das Lágrimas

 

Letra: Carlos Tê

Música: Carlos Tê e Rui Veloso

Arranjo: Mário Delgado

Intérprete: Filipa Pais* (in 2CD “Voz & Guitarra”, Farol Música, 1997) [>> YouTube]

Versão original: Rui Veloso (in 2LP/CD “Auto da Pimenta”, EMI-VC, 1991)

 

 

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A branca areia as lágrimas banhavam,

Que em multidão com elas se igualavam.

 

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E nós, com a virtuosa companhia

De mil religiosos diligentes,

Em procissão solene, a Deus orando,

Para os batéis viemos caminhando.

 

 

LUÍS VAZ DE CAMÕES (in “Os Lusíadas”, 1572 – Canto IV, excertos das estrofes 92 e 88)

 

 

[instrumental]

 

Ó mar salgado, eu sou só mais uma

Das que aqui choram e te salgam a espuma.

 

Ó mar das Trevas, que somes galés,

Meu pranto intenso engrossa as marés.

 

Ó mar da Índia, lá nos teus confins,

De chorar tanto tenho dores nos rins.

 

Choro nesta areia: salina será?

Choro toda a noite, seco de manhã.

 

Ai, ó mar Roxo, ó mar abafadiço,

Poupa o meu homem, não lhe dês sumiço!

 

[instrumental]

 

Que sol é o teu nesses céus vermelhos?

Que eles partem novos e retornam velhos!

 

Ó mar da calma, ninho do tufão,

Que é do meu amor? Seis anos já lá vão!…

 

Não seÓ mar da calma, ninho do tufão,

Que é do meu amor? Seis anos já lá vão!…

 
i o que o chama aos teus nevoeiros:

Será fortuna ou bichos-carpinteiros?

 

Ó mar da China, Samatra e Ceilão,

Não sei que faça: sou viúva ou não?

 

Não sei se case: notícias não há…

Será que é morto ou se amigou por lá?

 

[instrumental / coros]

 

 

* Filipa Pais – voz, coros

Mário Delgado – viola acústica de 6 e 12 cordas

Produção – Manuel Paulo Felgueiras

Gravado e misturado por Tiago Lopes e Nuno Grácio, no Regiestúdio, Amadora, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro de 1997

Masterizado por Jules Newell, no estúdio Mission Control, Lisboa

URL: http://www.myspace.com/filipapaismusic

http://pt.wikipedia.org/wiki/Filipa_Pais

http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/filipa_pais

http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=925

http://www.lastfm.pt/music/Filipa+Pais

 

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