UM CAFÉ NA INTERNET – Trono sobre Trono, de Marta Cristina Araújo

Um café na Internet

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

O perigo é companhia para o soberano

que instalou seu trono sobre a dinastia

seu projecto (recto) vem do longe donde

se ameaçam o riso o corpo o movimento

o segredo (segrego) a fala o linguajar

do dia anterior continuadamente.

Nem todos são os súbditos, quem o conduziu

ao trabalho do quotidiano (ano) inquieto

entre o sono iniciado tarde nas manhãs?

 

Breve é o receio de (o meio) deslocar-se

da paisagem mar apreendida extensa

entre o fio a fio assíduo da janela.

O momento é pouco para olhar as tintas e a criança

acode à chamada urgente (gente) dos vizinhos.

Surpreende (prende) o plano do levantamento

apropriado à sede (sede da melancolia)

no curso das leis seu código fechado

em área de confusos (usos) dos lugares.

 

Não é de desistência ainda o tempo

de há muito em sua mão a rédea de colares:

eu estou aqui segura e cúmplice

nada pretendo (entendo) além do encadeado

de anéis colhidos (escolhidos) devagar.

Talvez seja amor o medo da assistência

talvez seja amor a culpa de não ter

o objecto (o ente) predilecto que refaz

solene esta alegoria do frágil (ágil) vidro

e nos separa (pára) à margem do poder.

 

 

 

Fui buscar este poema a Os Poemas da Minha Vida, de Miguel Veiga, edição do Público, 2005. Ao Miguel Veiga e ao Público, muito obrigado.

 

À Marta Cristina de Araújo (1926 –  ), apresentamos os nossos mais respeitosos cumprimentos. Como não conseguimos a sua fotografia, apresentamos a capa de uma das suas obras.

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